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AIA pede flexibilidade “para não se matar” tecido empresarial do país

Jose Zangui por Jose Zangui
23 de Fevereiro, 2026
Em Economia

A Administração Geral Tributária ( AGT) suspendeu os Números de Identificação Fiscal ( NIF) de 42 mil e 971 empresas que ja estavam em risco, até Novembro de 2025, por dificuldades do cumprimento das obrigações fiscais, no prazo de 12 meses

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Segundo dados da AGT, num universo de 402 mil e 937 empresas cadastradas, neste momento, apenas 120 mil e 123 continuam activas. Importa referir que, recentemente, a AGT esclareceu que o contribuinte pode requerer o levantamento da suspensão do Número de Identificação Fiscal, após regularização da sua situação tributária, com o pagamento de juros e multas, nos termos do artigo 13, da lei 24/ 21 de 4 de Outubro.

O presidente da Associação Industrial de Angola ( AIA), José Severino, entende que o Executivo devia tratar melhor as empresas, que são os entes que fazem mover a economia. De acordo com o também empresário, as empresas devem ser tratadas como “ovos de ouro”, ou seja, merecem um melhor tratamento e não serem asfixiadas. O presidente da AIA lembrou que o país enfrentou uma crise que estagnou a economia, a COVID -19 e que a recuperação ainda está a acontecer. “São medidas excessivas que o Executivo está a tomar”, disse, apelando à prudência para não matar o tecido empresarial.

Por sua vez, o empresário e deputado Francisco Viana considerou que o Executivo está a fazer a inversão da lógica. Concorda que as empresas devem pagar impostos, mas entende que não devem ser asfixiadas porque já enfrentam inúmeras dificuldades. Para Franscisco Viana, o lógico seria deixar as empresas funcionarem, porque quanto mais empresas estiverem em actividade, mais o Estado vai arrecadar. O empresário entende que a suspensão do NIF ou o encerramento de empresas também prejudica o próprio Estado e a economia.

Dívida do Estado às empresas

Para o economista Moisés Cambundo, quando o Estado é o grande devedor, como é o caso da realidade angolana, cria um efeito em cadeia. “As empresas, sem receber, não conseguem honrar as suas obrigações fiscais, salariais e até bancária, não por falta de responsabilidade, mas porque não recebem dos fornecedores”, disse, para defender uma justiça fiscal, onde o Estado deve ser responsabilizado pelos incumprimentos com as empresas.

“ É preciso haver um sistema de equilíbrio. O Estado deve cumprir antecipadamente com as suas obrigações, ao mesmo tempo que as empresas devem cumprir com as suas obrigações fiscais e boa gestão”. Moisés Cambundo defende a necessidade do diálogo entre a Administração Geral Tributária (AGT) e empresas, para se encontrar uma solução que não prejudique ambas as partes e que não mate o tecido empresarial.

Para o economista, o cancelamento do Número de Identificação Fiscal é uma medida excessiva que retrai a economia. O Governo deve melhorar o equilíbrio entre o rigor fiscal e a sustentabilidade empresarial, que vai fomentar o crescimento económico, defende Moisés Cambundo. As empresas com NIF suspenso enfrentam consequências, como a impossibilidade de exercer actividade comercial, não movimentar contas bancárias e não contratar com o Estado.

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