Angola manteve-se estável no mais recente relatório do Índice de Percepção da Corrupção 2025, publicado pela Transparency International, com 32 pontos numa escala de 0 a 100 e ocupando o 120.º lugar entre 182 países avaliados
Embora o índice evidencie desafios globais crescentes no combate à corrupção, Angola destacase por manter consistência na sua pontuação, consolidando a recuperação registada nos últimos anos e distanciando-se significativamente dos níveis verificados há uma década. Um dos dados mais impactantes do relatório é o facto de Angola ter praticamente duplicado a sua pontuação em comparação com 2015, período em que o país se encontrava entre os mais mal posicionados do mundo.
A manutenção dos 32 pontos em 2025 demonstra estabilização institucional, continuidade das reformas estruturais e percepção internacional de esforço sustentado no reforço da integridade pública, conforme agenda do Presidente da República, João Lourenço. Num contexto internacional em que a média global do índice caiu para 42 pontos, o nível mais baixo em mais de uma década, a estabilidade angolana assume particular relevância.
Contexto regional
No quadro da África Subsaariana, região que historicamente apresenta médias entre 30 e 35 pontos, Angola posiciona-se alinhada com a média regional, mantendo-se acima de vários países africanos. Entre os PALOP, Cabo Verde continua a apresentar melhor classificação, mas Angola mantém vantagem comparativa face a outros Estados da região que registaram retrocessos.
Importa sublinhar que o índice mede percepções sobre integridade no sector público, com base em avaliações técnicas e empresariais internacionais, e não casos individuais.
O relatório reconhece que países que mantêm estabilidade na pontuação num cenário de deterioração global, evidenciam, continuidade de políticas públicas de integridade, reforço gradual dos mecanismos de controlo e maior previsibilidade institucional. Neste sentido, Angola surge como país que, apesar dos desafios estruturais históricos, conseguiu inverter a trajectória descendente do passado e consolidar ganhos institucionais.
Perspectiva estratégica
Especialistas consideram que a consolidação dos actuais níveis abre espaço para o reforço da confiança dos investidores, melhoria da classificação de risco e fortalecimento da cooperação internacional em matéria de transparência e governação. A edição de 2025 confirma, assim, que Angola permanece num processo de transformação institucional gradual, num contexto internacional adverso.
As atribuições relativas ao combate à corrupção são asseguradas pela Comissão Interministerial, criada pelo Despacho Presidencial n.º 184/24, de 14 de Agosto, para a implementação da Estratégia Nacional de Prevenção e Repressão da Corrupção, da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção e da Convenção da União Africana sobre a Prevenção e Combate à Corrupção, coordenada pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio Manuel da Fonseca.









