O ministro das Relações Exteriores, Téte António, alertou, nesta quinta-feira, na capital etíope, que a instabilidade no Sudão e na Somália constitui uma ameaça directa à paz e segurança do continente africano, defendendo um cessar-fogo imediato e verificável no território sudanês.
O chefe da diplomacia angolana fez estas declarações quando intervinha na 1330ª Reunião do Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA), realizada no Auditório do CPS, no edifício Mwalimu Julius Nyerere, à margem da 48ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo da organização continental.
Durante a sessão, presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto, Badr Abdelatty, na qualidade de presidente do CPS para o mês de Fevereiro de 2026, foram analisadas a situação no Sudão e na Somália, bem como as operações da Missão de Apoio e Estabilização da União Africana na Somália (AUSSOM).
Na sua intervenção, Téte António sublinhou que a instabilidade nas fronteiras do Sudão com o Chade, Sudão do Sul e Etiópia, assim como os riscos para a segurança do Mar Vermelho, configuram uma ameaça directa à Arquitectura Africana de Paz e Segurança.
O ministro manifestou profunda preocupação com o agravamento da situação humanitária na região, referindo que cerca de 21 milhões de pessoas necessitam de assistência urgente, com níveis considerados catastróficos de insegurança alimentar no Darfur do Norte.
Téte António denunciou ainda a persistência de graves violações dos direitos humanos e do Direito Internacional Humanitário, agravadas pelo uso crescente de meios bélicos avançados com impacto devastador sobre a população civil.
Neste contexto, Angola condena “veementemente todos os apoios externos, militares, financeiros ou logísticos, que alimentam o conflito”, afirmou o governante.
O ministro reiterou a necessidade urgente de a União Africana exercer plenamente a sua liderança política e coordenadora, harmonizando os esforços de mediação em torno de um cessar-fogo imediato e verificável, garantindo acesso humanitário irrestrito e promovendo um processo político inclusivo, liderado pelos próprios sudaneses.
Entre as medidas propostas, destacou a revitalização do Comité Ad-Hoc Presidencial e o envio de uma missão de campo do Conselho de Paz e Segurança ao Sudão, com vista ao reforço do engajamento político e à avaliação da situação no terreno.
Relativamente à Somália, Angola saudou as iniciativas políticas dos Estados Federais no âmbito da implementação do Plano de Estabilização e Desenvolvimento, que visa alcançar consensos sobre partilha de poder, recursos e federalismo fiscal.
Contudo, Téte António manifestou preocupação com a persistente falta de consenso no Parlamento da República Federal da Somália quanto ao processo de Revisão Constitucional, defendendo um diálogo político inclusivo entre todos os actores somalis para ultrapassar a Constituição Provisória de 2012.









