Ilustre coordenador do jornal OPAÍS, saudações e votos de uma boa Segunda- feira. Escrevo a partir do bairro dos Ossos. Eu acredito que, em tempos de crise económica, a boa convivência passa a ser uma necessidade prática. Quando o dinheiro falta, a paciência também costuma faltar, e é justamente aí que o conflito encontra terreno fértil.
Penso que a maneira como as pessoas se tratam dentro de casa, assim como no trabalho, pode, de facto, aliviar tensões. A crise expõe fragilidades, mas também revela carácter. Famílias que dialogam, partilham sacrifícios e evitam a lógica da culpa tendem a resistir melhor ao aperto financeiro.
Onde há respeito e escuta, o problema continua a existir, mas deixa de ser um campo de batalha permanente. Conflitos não criam emprego e não pagam contas. No espaço social, a boa convivência reduz o risco de rupturas perigosas. Em contextos de escassez, cresce a tentação do egoísmo, da desconfiança e da agressividade.
Manter relações baseadas na solidariedade e no mínimo de empatia ajuda a preservar a coesão social e impede que a crise económica evolua para crise moral. Na verdade, a boa convivência não resolve a crise económica, mas define como ela será atravessada. Era só isso…
POR: Sandro de Soussa Sambizanga









