Adormecido durante vários anos, foi tomado por algum cepticismo os primeiros passos que foram dados em prol do desenvolvimento do Corredor do Lobito, uma infra-estrutura vital para o desenvolvimento de Angola e dos países que o circundam, entre os quais a República Democrática do Congo e a Zâmbia.
A união entre o sector privado e o Executivo angolano fez com que o referido projecto renascesse, obtivesse o apoio de países como os Estados Unidos da América, alguns vizinhos, e da própria União Europeia. A realização de concurso internacional, cujos vencedores foram anunciados de forma transparente, acabou por conferir uma outra dimensão ao projecto, cujo ponto máximo que verificou foi, sem dúvidas, a vinda do então Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Angola.
A única até ao momento, onde não só manifestou agrado pelo que viu, o que está por vir e a influência que o referido corredor irá proporcionar às populações, habitantes, produtores agrícolas, comerciantes e muitos que vivem próximos do traçado. Desde então, nada mais parou.
Nem mesmo quando muitos acreditavam que o facto de Donald Trump ter chegado ao poder poderia alterar o rumo dos acontecimentos. Só que este, mesmo a partir dos Estados Unidos, mostrou-se fiel aos desígnios do seu antecessor, prometendo, igualmente, um apoio à concretização do Corredor do Lobito. Só que o Corredor do Lobito é muito mais do que o interesse de um único Estado.
É a pretensão de vários estados, empresas do sector privado e agências de organizações africanas e da própria União Europeia. Todas atentas às oportunidades que esta linha, que corta as províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico, irá trazer para se dinamizar o comércio, a transportação de minerais e outros bens essenciais entre Angola, República Democrática do Congo e Zâmbia.
Do vizinho Congo já saem todos os meses, em direcção ao Lobito, cerca de 40 comboios com produtos que acabam posteriormente por ser exportados para o mundo. De igual modo, as autoridades zambianas, que sempre viram na iniciativa uma oportunidade, pretendem que, além dos minerais, o Corredor do Lobito funcione como uma espécie de élan para aqueles bens essenciais aos populares destes países.
Mais felizes, certamente, estão os investidores, como foi o caso da representante da União Europeia, que participa na reunião de Coordenação do Corredor do Lobito. Além de se manifestar sobre os valores empregues no projecto, cujas cifras rondarão em mais de dois mil milhões de dólares, regozijou- se com o facto deste poder encurtar os timings de exportação de produtos de 28 para cinco dias.
O que quer dizer que muitos dos minerais e outros produtos necessários para o continente velho poderão ver os custos reduzidos e vice-versa em relação aos que estão no traçado do Lobito em diante. Como frisou o Presidente angolano, João Lourenço, o Corredor do Lobito é já uma certeza e em fase de consolidação. Não se trata de qualquer devaneio, como alguns insistentemente avançam. Os dados e a participação dos interessados acabam por confirmar que tem pés para andar.









