Já não me recordo da data, mas ainda tenho presente o momento em que um político angolano afirmou à imprensa que, se ocorresse algo anormal nas eleições passadas, se iriam queixar aos americanos. Ao longo dos anos, infelizmente, muitos dos nossos concidadãos vão tendo e vendendo a percepção de que a solução dos possíveis problemas angolanos será resolvida a partir do estrangeiro.
Tem sido assim a nível de uma determinada sociedade civil, assim como os próprios partidos políticos da oposição, cujos responsáveis, quando vão ao exterior, aproveitam para vender as suas ideias, algumas vezes até de forma quase venal. Quatro anos depois, as eleições de 2022 continuam a ecoar nos quatro cantos.
Declaradas vencidas pelo MPLA e o seu líder, o Presidente João Lourenço, o referido pleito acabou posteriormente confirmado pela própria oposição, cujos deputados assumiram as suas funções no parlamento e lá se encontram de pedra e cal. Apesar da tensão habitual que se viveu durante a fase de publicação dos resultados, quando foi confrontado se tinha havido irregularidades, por exemplo, o líder do maior partido na oposição, na altura, reagiu dizendo que não.
Nem tão pouco que a UNITA tivesse em algum momento dito que houvera situações que pudessem colocar em cheque a ida às urnas há quatro anos. Entretanto, nos últimos dias vão surgindo informações contrárias, que preferia acreditar que se tratasse de imagens ou pronunciamentos gerados pela Inteligência Artificial.
É que, a ser verdade que se trata mesmo de um posicionamento de quem aspira novos vôos no país, em 2027, então parece haver uma espécie de posicionamentos internos e outros externos quando convém.
Num ano que será marcado pela pré-campanha eleitoral para 2027, o que muitos se questionam nesta fase são as razões que estarão por detrás de tais posicionamentos do agora. Claro está que os partidos políticos da oposição almejam, a todo custo, afastar o MPLA da liderança do país 50 anos depois. Porém, apesar disso, ainda é indiscutível a capacidade que esta organização tem e o desejo de continuar a govern
Para já, infelizmente, fica marcado o facto de, provavelmente, as eleições de 2027, em que o MPLA deverá apresentar um novo aspirante à presidência da República, venha a ter a mesma névoa de críticas da oposição. É que, apesar de estarmos já a caminho do sexto pleito, quase que não se reconhece na UNITA posicionamentos que não passem pela acusação de fraudes, mesmo quando a sua liderança diga o contrário, como foi há quatro anos.









