É simplesmente um paradoxo, mas a oposição política angolana comporta se como um grupo perdi do no fundo do túnel, discutindo quem segura a lanterna, que ainda por cima está sem pilhas.
O problema é que raramente discutem sobre quem deve estar na linha da frente, mas sobre tudo saber para onde é que vão. A oposição em Angola vive exatamente esse dilema: discute com paixão platónica a vontade de ser governo, mas continua a evitar o essencial — o caminho, o rumo e a direcção que querem dar ao país. Não lhe faltam vozes, discursos ou figuras públicas. E aqui surge um outro contrasenso.
A oposição continua à procura de um líder milagroso, igual ou melhor do que o Roque Santeiro, personagem de destaque de uma conceituada telenovela brasileira dos anos 80, ao invés de uma ideia mobilizadora e credível de governação.
Falta-lhes um conceito claro, uma ideia estruturada de país que vá além do desejo legítimo de alternância. Porque alternância não é apenas mudar de motorista ao volante; é assumir, com responsabilidade, o que vem depois da vitória.
Por: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS









