Saudações, caro coordenador do jornal OPAÍS! Durante muito tempo, as escolas superiores em Angola dedicam anos a formar pessoas capazes de ter uma leitura diferente, mas sem nenhuma competência prática que as habilite a ter domínio do que serão no futuro.
Forma-se o estudante, mas não se forma o profissional. Esses cursos, na sua maioria, são semelhantes aos cursos do Puniv. A título de exemplo, no Puniv temos Ciências Económicas e Jurídicas; no ensino superior, surgem Ciências da Informação. Muda-se o nome do curso, mas o conteúdo continua o mesmo: teoria sem profissão. Quando terminei o Puniv, só sabia ler e escrever. Não sabia quem eu era nem qual seria o título que carregaria ao concluir um curso.
O mesmo acontece com muitos que terminam Ciências da Informação no ensino superior. Alguns são obrigados a fazer mestrado apenas para obter um título. Outros, mais ousados para não dizer atrevidos, criam os seus próprios títulos: Jornalista, bibliotecário e gestor da informação.
Não é formalmente jornalista, arquivista, não é bibliotecário regulamentado, não é arquivista reconhecido nem gestor da informação com enquadramento legal definido. O curso oferece forte base teórica, mas não atribui um título profissional inequívoco, tal como acontece com o Puniv.
Forma-se, mas não se define. Diploma-se, mas não se emprega. É necessário repensar o ensino, sobretudo num país como Angola, onde as oportunidades são escassas.
Sem culpabilizar apenas o governo, é preciso assumir que fazer cursos sem grau profissional claro é um caminho directo para o desemprego. O ensino superior não pode continuar a produzir diplomas que não garantem profissão.
POR: Banza André/Luanda









