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Os impactos da redução da taxa de juro BNA em Janeiro de 2026 (I)

Jornal OPaís por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026
Em Opinião

Adecisão do Banco Nacional de Angola (BNA) de reduzir a taxa directora de juros de 18,5% para 17,5% representa mais do que um mero ajuste técnico: é um sinal claro de que a economia angolana está a ganhar espaço de manobra para equilibrar a estabilidade de preços com o crescimento económico necessário à criação de emprego e melhoria do poder de compra.

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Com a inflação a desacelerar de forma consistente (de 27,5% em 2024 para 15,7% em 2025), o BNA aproveita uma janela de oportunidade para iniciar 2026 com uma política monetária mais acomodatícia, projectando um crescimento do PIB de 3,5%. Contexto da decisão: Três cortes consecutivos Esta redução de 1 ponto percentual marca a terceira flexibilização monetária desde Setembro de 2025, quando o BNA abandonou o nível terminal de 19,5%.

A sequência de cortes — de 19,5% para 19%, depois para 18,5% e agora 17,5% — demonstra uma estratégia deliberada e gradual, guiada por indicadores concretos: – Inflação controlada: A desaceleração para 15,7% em Dezembro superou as metas definidas para 2025; – Liquidez gerida: O controlo da massa monetária e a adequação da liquidez à actividade económica criaram condições para o descontraimento; – Estabilidade cambial: O kwanza manteve-se estável ao longo de 2025, reduzindo pressões de importação; ‘Impactos estratégicos por stakeholder’.

1. Empresas e investimento produtivo
A redução da taxa de referência deverá traduzir-se em custos de financiamento mais baixos para o sector privado, particularmente o não petrolífero, que cresceu 4,3% em 2025. Empresas industriais, de construção civil e de serviços poderão aceder a empréstimos bancários com spreads menos penalizadores, incentivando: – Capacidade produtiva : Investimento em expansão de unidades fabris e modernização tecnológica; – Contratação de mão-de-obra: Redução do desemprego estrutural, que afecta cerca de 30% da população activa; – Competitividade externa: Melhoria da eficiência de exportadores não petrolíferos em mercados regionais.

2. Consumidores e poder de compra
Para as famílias angolanas, o efeito será indireto mas significativo: – Crédito ao consumo : Redução gradual dos juros sobre empréstimos pessoais e crédito automóvel; – Contenção de preços: manutenção da tendência de desinflação preservará o poder de compra, com projecção de 13,5% para 2026; Expansão do crédito: Maior disponibilidade de financiamento para aquisição de bens duráveis;

3. Sector bancário e margens de Lucro
Os bancos enfrentam um duplo desafio: – Compressão de margens: A estreitza do corredor de juros reduz a rentabilidade das operações de mercado monetário; e – Risco de crédito: Apesar da melhoria das condições macroeconómicas, o risco de incumprimento permanece elevado devido à fragilidade do tecido empresarial No entanto, a expansão da carteira de crédito poderá compensar a menor margem unitária, desde que a estratégia de concessão seja prudente.

4. Mercado de capitais e investimento estrangeiro
A política de juros mais baixos poderá: – Diversificar fontes de financiamento: Reduzir a dependência do endividamento externo, que se manteve elevado; – Atrair investimento produtivo: Juros reais mais atrativos (considerando a inflação em queda) podem incentivar o investimento directo estrangeiro em sectores como agricultura, turismo e energias renováveis; – Desvalorização controlada: Evita a necessidade de desvalorização competitiva do kwanza, preservando a confiança dos investidores; Perspectivas e Recomendações Cenário base (Probabilidade: 60%). O BNA deverá continuar o ciclo de flexibilização, com a taxa a descer gradualmente para 14-15% até final de 2026, conforme projectado pela Oxford Economics. Isto pressupõe: – Inflação a convergir para 13,5% como previsto; – Manutenção da estabilidade cambial; e – Crescimento do sector não petro lífero acima de 4%. *

Por: DIOGENES LENGA

Economista

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