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Luanda (não) fica longe

Jornal OPaís por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026
Em Opinião

Há quem diga, com aquele ar de certeza emprestada, que Luanda “já não tem dono político”, que virou terra de ninguém, praça neutra, campo aberto, onde os “amantes” e os “namorados de ocasião” da política angolana podem meter o pé. Luanda é exigente, é verdade, mas não abandona história, embora cobre resultados. Luanda sempre foi mais do que números eleitorais. É termómetro político, palco simbólico e barómetro social.

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Aqui na “nguimbi” não se vota por moda nem por raiva momentânea. Vota-se por memória, comparação e expectativa. Quem confunde manifestações com divórcio político está a interpretar mal o humor da cidade.

É verdade: Luanda fala alto quando está descontente. Reclama, ironiza, provoca. Mas reclamar não é romper. Criticar não é mudar de casa política; é bater à porta com força do dono de casa e dizer, “eu ainda preciso de ti”! O eleitor luandense não destrói pontes — testa a sua resistência. E quem acha que uma eleição difícil significa derrota permanente, confunde barulho com mudança estrutural.

A tese de que “agora em Luanda todos os partidos políticos nas eleições gerais de 2027 vão partir do zero” é ignorar um detalhe incómodo: governar também cria raízes. Luanda conhece quem esteve presente nos momentos difíceis, quem construiu, quem errou e quem corrigiu.

A cidade não é ingénua ao ponto de apagar décadas de presença política por causa de um ciclo turbulento. O que está em disputa em Luanda é além da pertença partidária, a credibilidade renovada. O eleitor não pede milagres; pede verdade, humildade e soluções concretas.

Quer menos discurso ensaiado e mais conversa olho no olho. Menos promessa elástica e mais compromisso de honra. Aqui entra o essencial: a força política que marcou Luanda, durante os 50 anos de Independência Nacional, não desapareceu — está a repensar estrategicamente como voltar a “conquistar a dona Luanda que nunca abandonou o seu grande e único amor”: o MPLA.

Continua viva nas estruturas, nos bairros, na memória colectiva e na capacidade de aprender com o erro. Política madura não é insistir no mesmo tom; é ajustar a melodia sem perder a letra. Dizer que Luanda “mudou de cor viva e vibrante, para uma cor de kadifuba” é precipitado, é dizer que o apressado come cru. Luanda apenas levantou a sobrancelha. E cidade que levanta a sobrancelha ainda espera resposta.

Espera escuta activa permanentemente. Espera a liderança que compreenda que governar a capital exige mais sensibilidade e proximidade do que propaganda. É por isso que 2027 não será um teste de sobrevivência, mas de reconquista consciente.

Reconquistar não no sentido de tomar algo perdido, mas de voltar a merecer. Voltar a convencer. Voltar a entusiasmar com ideias, não com ruído. E quem conhece a história política do país sabe: a chama que parecia baixa nunca se apagou. Está apenas à espera de oxigénio político, inteligência estratégica e humildade para voltar a iluminar a cidade.

Por: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS

Parabéns, LUANDA, CIDADE DE BRAÇOS ABERTOS, PELOS 450 ANOS DE EXISTÊNCIA.

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