Há discursos e mensagens políticas que já se tornam um verdadeiro barulho do tambor, pois não apontam o caminho. Soam tão alto, repetem-se em comícios políticos, nas campanhas de mobilização, nas redes sociais e conferências de imprensa, mas morrem no mesmo lugar onde nasceram.
Os partidos da oposição no meu país, todos juntos e misturados, parecem condenados a esse ciclo, que diga-se em abono da verdade, já se tornou vicioso; tocar o tambor o mais barulhento e ruidoso que puder, produzindo no entanto um silêncio de ideas ensurdecedor.
Parecem ser como aquelas mulheres vaidosas,que estão sempre a mudar de vestido, mas a tanga que usam é sempre a mesma e ainda por cima toda ela rota! Nas eleições gerais de 2022, pensaram, pelos resultados obtidos, que podiam fazer o konba dos outros, tudo porque o tambor fez um barulho único e um ruído raro: cansaço acumulado, protesto difuso, emoção elevada e a ilusão colectiva de que gritar mais alto equivale a governar melhor. O resultado foi significativo, sim, mas também circunstancial.
Confundir esse momento com uma tendência histórica é como acreditar que o trovão produz chuva só porque faz barulho. O problema central não é o volume da crítica, mas a ausência de melodia. Criticar é fácil, governar é outra pauta. Aliás a tendência dos partidos da oposição é sempre a mesma: procurar tirar o palito no olho do outro, sem sequer conseguir arrancar o imbondeiro que está no quintal de casa! Os partidos da oposição continuam presos a um discurso reactivo, dependente do erro alheio, como quem espera que a casa do vizinho pegue fogo para se aquecer.
Falta-lhe um projecto nacional claro, exequível e, sobretudo, credível. Falta-lhe dizer como faria diferente, e não apenas por que o outro errou. O eleitor angolano amadureceu. Já não se contenta com indignação reciclada nem com promessas genéricas embrulhadas em palavras grandes. O povo começa a perceber que a política não é um concurso de denúncias, mas uma prova de resistência, visão e competência.
Quem vive apenas de apontar o dedo acaba por ficar com o braço cansado e o futuro vazio. Além disso, há um erro estratégico recorrente: confundir redes sociais com ruas, likes com votos, e trending topics com governação. O entusiasmo digital não substitui estruturas sólidas, quadros preparados e uma mensagem coerente de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste.
O país real não cabe num slogan, nem se governa com hashtags. Enquanto isso, os partidos da oposição insiste no discurso do tambor: bate forte, bate sempre, mas tocando a mesma música.
Não renovam o repertório, não afinam os instrumentos e não ensaiam novas harmonias. Esperam resultados diferentes repetindo exactamente os mesmos gestos. A história, porém, não costuma recompensar a teimosia disfarçada de coragem.
As próximas eleições não serão um referendo emocional, mas um teste de maturidade política. E nesse teste, quem não apresenta soluções claras, quem vive mais do passado recente do que do futuro possível, dificilmente repetirá o desempenho anterior. O eleitor pode até ouvir o barulho, mas vota, cada vez mais, naquilo que lhe inspira segurança.
No fim, fica a lição simples: oposição não é sinónimo automático de alternativa. Quem quer governar precisa mais do que gritar — precisa convencer. E para convencer, é preciso muito mais do que um tambor barulhento, ainda por cima ruidoso, com um paradoxal silêncio de ideas.
Por: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS









