Ao coordenador do jornal OPAÍS, saudações e votos de óptima disposição! Nos últimos tempos, o número de meninos de rua em Luanda e arredores continua a aumentar. As razões são óbvias e conhecidas. As condições sociais de muitas famílias têm sido cada vez mais duras e isso tem deixado muitas instituições apreensivas.
Quem circula pela cidade de Luanda depara- se com engraxadores de menor idade. Meninos a mendigarem. Crianças a fazerem consumo de bebidas alcoólicas. São muitos meninos de rua e isso tende a aumentar, porque não se sabe ao certo como é que eles serão recolhidos de volta para os seus familiares.
Por Luanda, os lares de acolhimento são quase inexistentes. Isso levanta sérios problemas e não deixa as pessoas agirem em conformidade. Volta e meia, não importa o local, há sempre uma criança a pedir algo para comer ou ainda comprar material para engraxar. Por isso, a crise da família tem criado condições para a degradação dos valores morais e éticos faz tempo, num país em que as sequelas da guerra se mantêm ainda de pé.
Nos “Congolenses”, 1.º de Maio, antigo quintalão da DSTV, no Cassenda, Mutamba, Eixo Viário e arredores, Vila Alice e outros são pontos em que se pode ver maior concentração de crianças de rua. Muitas até têm família, mas não aceitam regressar ao convívio, ainda que se lhes vá buscar; ficam dois ou mais dias, depois regressam.
Por conta disso, as instituições devem fazer mais para inverter o quadro, porque crianças hoje, jovens amanhã e, se não tiverem futuro, é o país que fica hipotecado. As gerações passam e devem ter um compromisso: manter os objectivos do Estado, de modo que ninguém seja muito mais que os outros em termos de relações sociais e humanas.
POR: Luís Guebu, Mártires de Kifangondo









