Contam-se somente três meses desde que o Presidente da República, João Lourenço, deslocou-se à província de Cabinda para a inauguração da refinaria nesta localidade, uma das maiores produtoras de crude do país. Recentemente, ainda ligada ao sector do oil & gas, como preferem especificar os profissionais ligados ao sector, o Chefe de Estado esteve também no Soyo, no Zaire, onde inaugurou um projecto do ramo ligado ao gás, determinando assim o fim da queima do produto que ainda é muito procurado no país.
Antes, um projecto inovador efectuado pelo Executivo aumentou a produção de derivados de petróleo na Refinaria de Luanda, onde se registou um incremento no gasóleo, gasolina e petróleo iluminante. E ontem, 13 de Janeiro, o Presidente da República, uma vez mais, viajou até Benguela para avaliar o andamento das obras de construção da Refinaria do Lobito, aquela que virá a ser uma das maiores do país.
Trata-se de uma unidade moderna, hoje com um nível de implementação física acima dos 20 por cento, licenciada pelas melhores entidades internacionais, orçada em mais de 3,8 mil milhões de dólares norte-americanos. Situada numa zona estratégica das terras das Acácias Rubras, em que bifurca o Corredor do Lobito, com o porto e os caminhos-de-ferro à disposição, a Refinaria do Lobito deverá melhorar a produção de gasóleo, Jet A1, gasóleo, fuel e até enxofre, que servirá para a produção de fertilizantes e outros produtos essenciais para a cadeia agropecuária e industrial.
Apesar do enorme interesse que existe para o sector de negócios, a Refinaria do Lobito está a ser suportada financeiramente pela Sonangol, num orçamento que deverá rondar os mais de 3,8 mil milhões de dólares norte- americanos. É esperado que, antes mesmo de atingir a velocidade cruzeiro, surjam muitos interessados, desde que não se belisque o verdadeiro interesse nacional no sector.
Um dos maiores produtores de petróleo do continente africano e do mundo, Angola foi durante muitos anos alimentada a nível de refinados a partir de outras partes do globo. Apesar do aumento da produção, não obstante um declínio observado, não houve até 2017 fortes investimentos que viessem contrapor a dependência que se observa.
Esta dependência, que acaba por encarecer os preços da gasolina e do gasóleo, para onde vai parte significativa dos fundos que poderiam alimentar os projectos sociais do Executivo angolano, serviu de mote para o enriquecimento de uma elite angolana, onde um selecto grupo se tornou fornecedor dos referidos produtos ao próprio Estado.
Felizmente, nos últimos anos, sobretudo após a chegada do Presidente João Lourenço ao poder, assiste-se a uma inversão do processo rumo à independência energética com a criação de refinarias, algumas das quais, como a de Cabinda, vão possibilitar a diminuição de derivados de petróleo.
Os investimentos que vão sendo feitos demonstram, claramente, a aposta que o Executivo vai fazendo no sentido de se diminuir a dependência que serve ainda nos dias de hoje como razão para o enriquecimento de certos sectores, alguns dos quais se mostram críticos aos resultados, incluindo uma pretensa perda de soberania quando vêm investidores externos apostarem no segmento.









