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Man Garras:“Eu conheço Luanda, as suas gentes e vivências e figuras lendárias”

Augusto Nunes por Augusto Nunes
25 de Dezembro, 2025
Em Cultura, Em Cartaz

João Mateus Joaquim (Man Garras) é um nome que dispensa apresentações quando o assunto é sobre Luanda, o seu quotidiano, suas gentes, vivências, figuras emblemáticas que movimentaram públicos e marcaram épocas diferentes à fase actual

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Abordado por OPAÍS, Man Garras movimenta o progra ma sabati no desportivo da rádio 5 e Viagem ao passado da rádio Luanda, com histórias daquela época e não só. Fala- nos da sua experiência neste domínio e o que deveria ser feito para devolver uma imagem acolhedora do rangel, onde nasceram importantes figuras daquela circunscrição e não só, nas diferentes áreas.

Começamos pelo nome. Man Garras, de onde veio este apelido?

Bem, chamo-me João Mateus Joaquim, natural de Luanda, nascido na Sawa Kimungua, na Boa Vista. É a zona que sobe as barrocas e, vindo cá para cima, está o Sambizanga, e morei na Casa Rumba, que antigamente era a do pai do Caçador, o jogador do Benfica de Luanda. Ao lado ainda não tinha a loja do senhor Mimoso. Naquela altura, já tinha a Loja do Zé Caçador. Ao lado tinha uma Casa das Caritas. O meu pai era pedreiro e, num dia desses, ao percorrer a área, encontrou-se com a minha mãe na rua a vender. Gostaram-se, apaixonaram-se e namoraram. Desta relação nasceu o tal Man Garras que todos hoje conhecem. Como a minha mãe não tinha casa, continuou a viver no Marçal. O meu pai, na altura, trabalhava na BRICOM, no Bairro Operário, do doutor Casa Nova Pinto, o director da referida empresa.

Como é que Joãozinho Man Garras foi parar no Marçal?

Nasci no Marçal e, com o tempo, fui ao Sambizanga e ali decidi ficar. Sempre rodeava o Sambizanga e voltava. Com a exigência do meu tio, Santos Quipeixe, o regedor e fiscal de Luanda, girava toda a área. Qualquer indivíduo que fosse encontrado a deitar a água fora era imediatamente dtido. Mas como a minha mãe ainda morava no Marçal, o meu pai foi directamente para o Marçal para buscá-la. Mas esta não aceitou ir ao Sambizanga. A minha mãe fazia negócio ambulante, vendia junto a uma palmeira. Então, saio da Boa Vista para o Sambizanga e fico ali a viver com o meu pai.La sempre e voltava, e vice-versa. Mas um dia o meu pai tentou bater na minha mãe, e ela decidiu sair para viver no Marçal. Neste espaço de desentendimento, o meu pai rouba-me da minha mãe.

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