EMPEMA-ENSA BANCO BAI SOCIJORNAL SOCIJORNAL
OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 25 Jun 2026
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

A prova dos nove democrática da UNITA : Entre a norma e a prática política (II )

Jornal OPaís por Jornal OPaís
21 de Novembro, 2025
Em Opinião

Sendo interessante, neste momento, olharmos para o congresso da UNITA, como se diz por aí um provérbio em Umbundu: “Vimbo nda muafa o jamba, on angulo o jamba”, isto é, se no quimbo morrer um elefante, toda a conversa estará em torno do elefante. Politicamente falando, o congresso da UNITA tornou-se precisamente esse elefante — o tema dominante nos corredores do país, nos debates públicos e nos círculos académicos.

Poderão também interessar-lhe...

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

O que te ensinaram a chamar amor?

A dignidade da mulher e a estabilidade familiar: a limitação ao divórcio durante a gravidez no Direito angolano

E porque o país inteiro observa com expectativa e inquietação, voltamos à mesma reflexão iniciada neste jornal na edição de ontem: a disputa interna da UNITA tornou-se um teste crucial à coerência democrática do partido.

A pré-candidatura de Rafael Massanga Savimbi — figura carregada de simbolismo histórico — abriu uma oportunidade rara para avaliar se a UNITA internalizou, de facto, os princípios de pluralismo e competição democrática que reivindica no discurso público.

No entanto, como demonstram as evidências recentes, a prática política do partido temse distanciado de forma significativa da normatividade formal inscrita nos seus próprios estatutos. Robert Dahl lembrava que as organizações políticas devem funcionar como microcosmos de poliarquia, assegurando igualdade de condições entre competidores; contudo, a realidade observada sugere a existência de mecanismos informais que deformam essa igualdade.

A circulação de listas de apoio, amplamente difundidas em plataformas digitais e associadas a uma das candidaturas, constitui um exemplo paradigmático. Pierre Bourdieu descreve tais instrumentos como formas de violência simbólica que, sem recurso à força directa, condicionam comportamentos e orientam lealdades.

Norberto Bobbio, ao falar de “pressões informais que distorcem a liberdade formal”, oferece a chave para compreender por que razão, mesmo em contextos formalmente democráticos, a autonomia decisória dos delegados pode ser fragilizada.

Numa organização politicamente hierarquizada, uma lista de apoios funciona como marcador de alinhamento antecipado e pode converter-se, na prática, num mecanismo de conformação coerciva.

A narrativa segundo a qual Massanga seria “o candidato do regime” introduz outra dimensão crítica no debate: a substituição do confronto programático pela imputação moral. Giovanni Sartori classificaria tal estratégia como difamação política instrumental, usada tipicamente para deslegitimar adversários quando faltam argumentos substantivos.

A exigência pública de apresentação de provas, feita pela mandatária da candidatura, reintroduz o valor jurídico e político da presunção de inocência. Como lembra Gomes Canotilho, os direitos ao bom nome e à honra não são variáveis negociáveis da política interna; são pilares de cidadania e dignidade constitucional.

O comportamento de dirigentes provinciais que surgem publicamente alinhados com apenas um dos candidatos torna ainda mais evidente o problema da neutralidade institucional.

Max Weber designaria isso de “rotinização da preferência”: hábitos enraizados que criam disposições institucionais de favorecimento antes do acto formal de escolha. Esta antecipação simbólica compromete, como sustentaria Dahl, o princípio de competição efectiva, reduzindo o espaço de igualdade entre concorrentes e fortalecendo a percepção de favoritismo estrutural.

A suspensão recente de militantes ligados à candidatura de Massanga, sobretudo em pleno período pré-congressual, reforça o quadro de tensão e controlo interno. Por mais que se invoquem disposições disciplinares, a proximidade temporal entre crítica interna e punição política fragiliza a credibilidade do processo.

Michel Crozier descreve que organizações conservadoras tendem a defender-se através de mecanismos de contenção sempre que actores tidos como disruptivos surgem no horizonte. Assim, mais do que actos de disciplina, estas suspensões apresentam-se como mensagens políticas dirigidas ao interior e ao exterior do partido.

A UNITA, que historicamente se apresenta como alternativa ética ao partido governante, corre o risco de entrar numa zona de ambiguidade moral. Pierre Rosanvallon argumenta que a legitimidade política se deteriora quando a distância entre discurso e prática se torna demasiado evidente aos olhos do público.

É precisamente o que começa a acontecer quando sectores da sociedade observam que o partido replica internamente mecanismos que critica no plano nacional. Como bem sustenta Canotilho, “a legitimidade não nasce apenas do resultado, mas do percurso que conduz ao resultado”. E o percurso da UNITA nas últimas semanas não tem sido linear, transparente ou exemplar.

O congresso que se avizinha não será julgado apenas pelo resultado final, mas pela coerência do processo. A UNITA está perante uma verdadeira prova dos nove da sua cultura democrática: ou demonstra, com clareza e rigor, que é capaz de realizar uma disputa interna sem manipulações simbólicas, pressões informais e disciplina seletiva, ou arrisca-se a erodir o seu capital simbólico, precisamente quando mais precisa dele para se afirmar como alternativa política nacional.

O país observa atentamente. E, como ensina a ciência política, o julgamento público não se baseia apenas nas intenções, mas sobretudo nos métodos. A forma como a UNITA resolver este momento definirá não apenas a liderança futura do partido, mas a credibilidade de toda a sua narrativa democrática. É este o elefante no quilho e dele continuará a depender a conversa política do país.

Por: Kateve BAMBI

Jurista IAnalista Político e Social

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

por Dani Costa
25 de Junho, 2026

Um encontro entre os líderes parlamentares do MPLA e da UNITA tornou-se notícia nos últimos dias. Em causa estava o...

Ler maisDetails

O que te ensinaram a chamar amor?

por Jornal OPaís
24 de Junho, 2026

Ontem, enquanto regressava para casa, ouvia um programa de rádio em que se falava sobre relaciona mentos, formas de amar...

Ler maisDetails

A dignidade da mulher e a estabilidade familiar: a limitação ao divórcio durante a gravidez no Direito angolano

por Jornal OPaís
24 de Junho, 2026

O Direito da Família, enquanto ramo estruturante da ordem jurídica, reflecte valores fundamentais da sociedade. No ordenamento angolano, a protecção...

Ler maisDetails

Rangel recolhe contribuições dos moradores para Orçamento Participativo de 2027

por Jornal OPaís
24 de Junho, 2026

Ler maisDetails

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

25 de Junho, 2026

Jornalista Tomé Armando vai a enterrar nesta Quinta-feira

24 de Junho, 2026

Interclube oficial contratação do treinador Divaldo Alves

24 de Junho, 2026

‎PR felicita homólogo Daniel Chapo pelo 51° aniversário de Moçambique

24 de Junho, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.