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Reflexão a propósito da morte do pastor Albino Kawosso

Jornal OPaís por Jornal OPaís
21 de Julho, 2025
Em Opinião

Na ciência, apesar das renhidas disputas, discórdias, oposições e rivalidades, os cientistas não se matam uns aos outros. No contexto científico, não ocorrem situações do tipo: cientista Vikola mata cientista Tchikola por discordar da sua teoria; ou então, o cientista Tchosi envenenou o cientista Tchiñgi pelo facto de as suas teses terem maior aceitação do público. Não se registam homicídios motivados por inveja, ódio ou qualquer outro sentimento de aversão ao outro.

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As rivalidades ocorrem apenas no campo das ideias. As concórdias e discórdias acontecem para elevar a própria ciência. Todos vivem para torná-la robusta, por isso, mesmo que haja inimizade, ninguém mata o outro, porque todos buscam encontrar, enriquecer e proteger a verdade científica. Na religião não acontece o mesmo.

É muito comum os religiosos matarem-se uns aos outros, por ódio, inveja, discórdia, rivalidade, ambição, intolerância, disputa por poder ou ascensão a lugares de topo. Essas dissensões ocorrem nas lideranças, entre fiéis, de fiéis para líderes, vice-versa.

Nas igrejas, onde se prega o amor ao próximo e o cultivo de virtudes, são também lugares onde os malfeitores se escondem para prejudicar e matar os outros. Na ciência isso não acontece.

Se você não faz prova bastante que o qualifique como cientista, você não será, nem pertencerá a este selecto grupo. Diferente da igreja, onde cabem todos, até aqueles cujo anseio não é a salvação e o paraíso, mas a lavagem e “gerência da sua imagem”, nas palavras do malogrado. O Pastor Kawosso não é pessoa para matar, seja qual for o motivo. Não era rico, nem tinha vaidades.

Em várias circunstâncias, recusou presentes e benesses, tudo porque entendia perfeitamente que era inútil acumular riquezas na terra. Era um excelente cultor da palavra, com uma eloquência apurada, retórica e oratória de alto nível. A sua voz rouca, estável do início ao fim dos seus sermões, impactava a audiência.

Era difícil distrair-se ou dormir onde pregava o Pastor Kawosso. Fluente em línguas estrangeiras, conhecedor das culturas e línguas locais, detinha um pensamento profundamente articulado e de sólida base teológica. Não era um indivíduo qualquer. Era um hábil intérprete dos ensinamentos bíblicos.

Qualquer igreja cristã gostaria e ganharia muito em tê-lo nas suas fileiras. Matá-lo desse jeito, com recurso aos saberes da “África Profunda”, como ele mesmo declara, é prejudicar grandemente a Seara do Senhor.

Os que fizeram isso não têm noção do prejuízo que causaram aos cristãos e à sociedade angolana. Este senhor oferecia a muitos o entendimento necessário sobre o que é a vida e como vivê-la.

As suas abordagens perpassavam a instituição religiosa a que pertencia. De forma distinta, reconhecialhe grande potência hermenêutica, capacidade ilustrativa e metafórica. Era um Professor de Literatura fora da sala de aula, na igreja e nos púlpitos.

Lembro aqui algumas das suas lições: 1. “A última ponte, para quem vai ao Bongo, é a que permite a chegada das pessoas à missão, mas ela própria (a ponte) nunca lá chegou. De igual modo, a placa indica a direcção para chegar à missão, mas ela (a placa) nunca lá chegou”.

Existem muitos por meio quais os outros hão de ser salvos, mas eles próprios não. Dizia sempre, não seja como a ponte ou a placa que permite e orienta os outros a chegarem ao destino, mas ela própria não chega lá. Salve os outros sim, mas salve-se também.

2. “Um pianista amador quis ensinar ao “Nado” (um grande pianista) como se toca o hino nº 395 do hinário, mal sabia ele que era o Nado o compositor do hino. Quando o Nado começou a tocar, o pianista amador ficou espantado com perfeição harmónica com que aquele tocava. Então, ocorreu-lhe perguntar – O que lhe faz tocar com tanta perfeição? E o Nado respondeu-lhe – Fui eu quem compôs o hino”.

A semelhança do pianista amador, muitas criaturas tentam ensinar ao criador o modo certo de viver, esquecemse de que o criador que os fez, sabe mais sobre eles do que eles próprios, afinal, é o criador. Dizia, escute o seu criador.

Aquele que te criou te deu também o manual de instrução. Não inventes fórmulas que ele não orientou. 3. “A vida não pode ser baseada em móveis, imóveis e automóveis”. Negava o materialismo como única forma de dar sentido à existência.

Acreditava que o ter não pode sobrepor-se ao ser. Que dimensão humana!

4. “Apelava ao perdão como fonte de restauração e do bemestar espiritual e social”. Citava, inclusive, comunicações do Papa Francisco, para reforçar a importância do perdão na vivência social e cristã.

5. “Não entregue as chaves da sua vida a macacos”. Entendia que cada um deve ser responsável do seu próprio destino, e que ninguém devia transferir a gestão e condução da sua vida a outrem, senão somente ao ser supremo, ao criador. 6. “Você deve ser o responsável por escrever a sua biografia.

Algumas coisas que serão lidas no dia do seu sepultamento, escreve-as você mesmo. Se for possível, prepare também o seu caixão”. Ensinava a consciencialização a respeito da morte, um fenómeno que, sendo inevitável, pode ser preparado de modo conveniente, de tal sorte que a despedida desta terra seja digna.

Tinha consciência de que partiria, por isso, tranquilizava os fiéis a não se desesperarem, pois, quando acontecesse, partiria em paz, ciente de que cumpriu a sua missão.

Nos últimos dias, teve ainda mais certeza de que o fim estava próximo e a sua partida era irreversível, então, caminhou tranquilo, devolvendo o fôlego àquele que lho deu.

Por mais certeza que tenha de que combateu um bom combate, acredito convictamente que fizeram-lhe partir cedo demais. Haja céus para este homem. Sentimentos de pesar à família e a todos condoídos com a sua morte. Paz e Luz!

Por: ESTEVÃO CHILALA CASSOMA

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