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José Eduardo dos Santos: Três anos depois, o silêncio de um “arquitecto” da paz que marcou Angola

João Feliciano por João Feliciano
9 de Julho, 2025
Em Opinião

Assinala-se hoje o terceiro aniversário da morte do antigo Presidente da República, cuja longevidade no poder moldou decisivamente a trajectória política, militar, económica e diplomática do país.

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Foi a 8 de Julho de 2022, em Barcelona, que se calou para sempre a voz de José Eduardo dos Santos, o segundo Presidente da República de Angola, e o mais duradouro, com quase quatro décadas de exercício ininterrupto do poder (1979– 2017).

Três anos depois da sua morte, o seu legado continua a suscitar interpretações díspares, mas que inegavelmente ocupa um lugar central na narrativa da Angola contemporânea.

Discreto no estilo, mas sagaz na estratégia, Dos Santos conduziu o país por entre as mais violentas convulsões da história nacional — do prolongado conflito armado pós-independência até à consolidação da paz, da centralização socialista à abertura económica liberal, da diplomacia de sobrevivência à ambição de protagonismo regional.

Um homem talhado para a estabilidade

Engenheiro de formação, político por necessidade histórica, José Eduardo dos Santos assumiu o poder em Setembro de 1979, com apenas 37 anos, após a morte de Agostinho Neto, primeiro Preside do país independente.

Herdou um país dilacerado pelas divisões ideológicas e militares, pressionado pelas dinâmicas da Guerra Fria e profundamente fragilizado em termos institucionais. Durante mais de duas décadas, governou sob o peso da guerra civil, enfrentando a UNITA e os seus aliados externos.

A sua capacidade de manter o Estado coeso e funcional durante este período é apontada como um dos seus principais trunfos. O desfecho chegou apenas em 2002, com o cessar efectivo das hostilidades, após a morte de Jonas Savimbi, líder-mor do “galo negro”. O Acordo do Luena, embora negociado sob força militar, marcou o fim de uma era e o início da reconstrução.

Reconstrução nacional e crescimento económico

Com o fim da guerra, José Eduardo dos Santos converteu-se num “engenheiro da paz e do betão”. Alavancado pelas receitas do petróleo e pela crescente parceria com a China, lançou um dos mais ambiciosos programas de reconstrução nacional do continente, que transformou infra-estruturas, cidades e centros logísticos. Foram construídas estradas, escolas, hospitais, sistemas de energia e habitação social, num processo que buscava unir um país antes fragmentado.

Nos anos 2000, Angola tornouse um dos países com maior crescimento económico do mundo, fenómeno associado ao ‘boom petrolífero’, mas também à estabilidade política que o Governo assegurou. As reformas no sector bancário, no investimento estrangeiro e nas telecomunicações foram parte essencial deste impulso modernizador.

Diplomacia silenciosa, influência regional

Apesar do seu perfil reservado, “Zé Dú”, como também era carinhosamente tratado, consolidou a imagem de Angola como um actor relevante em África. Foi mediador silencioso em conflitos regionais, promoveu a presença angolana na CPLP e na SADC, e procurou manter relações equilibradas com as potências ocidentais e orientais. A sua diplomacia era, muitas vezes, feita nos bastidores, longe dos holofotes, mas eficaz na preservação dos interesses nacionais.

Sombra de concentração e clientelismo

Mas nem tudo foi luz. O modelo de governação fortemente presidencialista e centralizador deu também lugar a uma elite económica ligada ao aparelho do Estado, alimentando críticas internas e externas sobre a corrupção, o nepotismo e as desigualdades. A promiscuidade entre a política e os negócios tornou-se marca do seu consulado tardio.

Embora tenha promovido eleições e reformas institucionais, estas foram muitas vezes vistas como instrumentos de controlo e continuidade, mais do que de pluralismo efectivo. O poder foi exercido com firmeza e selectividade, e a repressão pontual da dissidência contribuiu para um ambiente político pouco aberto.

Um legado incontornável

Ao deixar o poder, em 2017, José Eduardo dos Santos surpreendeu ao não interferir no processo sucessório. A sua retirada assinalou o fim de uma era, ainda que o novo ciclo — liderado pelo Presidente João Lourenço — tenha apostado num distanciamento crítico do seu antecessor, promovendo processos judiciais contra figuras próximas e reformas económicas profundas.

Passados três anos da sua morte, o balanço do seu percurso continua complexo, mas incontornável. Para uns, é o pacificador que manteve o Estado de pé em tempos extremos – para outros, o dirigente que concentrou poder e fomentou desigualdades.

Para a História, é ambos — e mais. José Eduardo dos Santos permanece uma das figuras mais influentes do pós-independência angolano. A Angola de hoje — nas suas instituições, infra-estruturas e na própria organização do Estado — deve-lhe muito, para o bem e para o mal.

  • Jornalista

João Feliciano

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