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Páscoa, gigas e gás em tempos de cólera

Jornal Opais por Jornal Opais
18 de Abril, 2025
Em Opinião

Era para ser só mais uma Páscoa. Mais um domingo de roupa engomada, igreja cheia, família reunida e mesa vazia. Mas em Luanda, até o sagrado precisa passar primeiro pelo mercado.

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Chegou a Páscoa Pentecostal e com ela, além dos cultos longos e das promessas de bênçãos em abundância, veio também o encarecimento das pequenas coisas que tornam o dia mais leve — como a internet.

O povo, já acostumado a transformar desgraça em piada, agora chama o plano Bala de “plano Bomba”. Afinal, o que antes custava 300 kwanzas, passou para 350. “Só 50 kwanzas a mais”, dizem os que ainda não entenderam que isso representa um aumento de 16,7%. Um número que até parece pequeno, mas que, na economia da casa, pesa mais do que a Bíblia que a avó carrega ao culto das 7h. É irónico — ou talvez apenas cruel — que o aumento venha justamente na época em que se prega renascimento, esperança e salvação.

Os pastores falam do Espírito Santo descendo sobre os fiéis, mas o que desce mesmo é o saldo do telefone, mais rápido do que a bênção. E o povo, sedento de conexão (com Deus e com o mundo), recarrega mesmo assim, porque a internet virou pão. E pão, como sabemos, também está mais caro.

Mas a internet não está sozinha no altar dos aumentos. O gasóleo também deu o seu grito de aleluia — um aleluia amargo, empurrando os preços para cima e os motores para o silêncio.

Taxistas discutem com os passageiros, não mais por causa do troco, mas por causa do itinerário: cada quilómetro agora é uma oração. Já não se escolhe o caminho mais curto, mas o mais barato. Em tempos normais, isso já seria muito.

Mas estes não são tempos normais. Estes são tempos de cólera — literalmente. A doença voltou a bater à porta das zonas periféricas, onde a água chega mais pela fé do que pelo cano.

Baldes viraram cálices e poças viraram fontes de contaminação. Enquanto o povo se ajoelha nas igrejas pedindo cura, muitos nem sabem que o perigo está no copo d’água da cozinha.

A cidade parece viver dois mundos: um em que se fala de salvação eterna, e outro onde se luta por sobrevivência imediata. E no meio disso tudo, o cidadão comum vira equilibrista: carrega a Bíblia numa mão e o telemóvel na outra, tenta manter a fé enquanto calcula quantos megas ainda tem até o próximo salário.

As filas nos hospitais aumentam. As filas nos postos também. E nos salões das igrejas, o povo canta alto, não só por fé, mas também para não ouvir o estômago a reclamar.

O culto termina com “amém” e uma corrida para o terminal dos candongueiros, onde o preço da corrida também já recebeu sua bênção inflacionada. É a Páscoa de um povo que já ressuscita todo dia.

Que se reinventa entre o aumento do gás, o susto da conta do telefone, a falta de água potável e a promessa de que “dias melhores virão”.

Mas até lá, seguimos: com saldo a zeros, combustível na reserva e fé no máximo. Porque em Luanda, a esperança é o único plano que ainda não foi taxado.

 

Por: RIBAPTISTA

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