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94.º Edição da Feira do Livro de Lisboa – bons exemplos devem ser seguidos

Jornal Opais por Jornal Opais
12 de Julho, 2024
Em Opinião

Com génese em Maio de 1930, na Praça D. Pedro IV, aconteceu a Semana do Livro, evento que deu origem à Feira do Livro de Lisboa, que acontece todos os anos, visando enaltecer a literatura, a arte e a cultura portuguesa.

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Tive a honra de ser convidado para estar presente na 94.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que teve lugar no Parque Eduardo VII, de 29 de Maio a 16 de Junho.

Evento inaugurado pelo Presidente da República Portuguesa, Dr. Marcelo de Sousa, que prestigiou o mesmo e deu um sinal positivo da sua importância para os portugueses, e não só.

Num dos cenários mais bonitos da cidade de Lisboa, com o Tejo aos pés, a Feira do Livro de Lisboa aconteceu.

Por um lado, foi uma excelente ocasião para os leitores ficarem a par de todas as novidades literárias, mas também para encontrarem livros recentes e mais antigos; por outro lado, foi uma ocasião única para os autores terem contacto directo com os leitores e amantes de leitura.

Livros e autores de diversas editoras e livrarias estiveram reunidos no mesmo espaço, num ambiente propício para o enaltecimento da arte, da criatividade, da literatura, e não só. Editoras como Astrolábio Edições, Chiado Books, Flamingo Edições, Lisbon Press, Moonlight Edições, Poesia Impossível, Quatro Linhas Edições, ShowTime Books e muito mais, estiveram em grande destaque no maior acontecimento literário português e, quiçá, um dos maiores do mundo.

Mais de um milhão de visitantes estiveram na feira, dos quais 71% compraram livros, ou seja, mais de setecentas mil pessoas realizaram compras durante a feira, onde houve mais de mil marcas editoriais, mais de cem mil títulos disponíveis e um resultado em vendas na ordem de milhões de euros.

É o que se calcula que a Feira do Livro de Lisboa tenha alcançado este ano, segundo dados preliminares divulgados pela organização. Tratou-se do maior evento de sempre, tendo atingido, segundo notícias, cifras máximas de participação, com horários alargados e melhorias na acessibilidade.

Eram 350 pavilhões. Diversas actividades foram realizadas ao longo da feira, tais como sessões de autógrafos, conversas com escritores, lançamentos de livros, espectáculos de música, dança, cinema ao ar livre e muito mais, uma autêntica homenagem à arte e à literatura.

Além desta variedade de actividades culturais, a feira oferecia um vasto parque com restauração, esplanadas e uma enorme disponibilidade de espaço para estacionamento e acesso a transporte.

Havia, portanto, uma grande facilidade de acesso à feira, com diversos transportes públicos disponíveis.

No interior da feira era possível encontrar diversos outros serviços, como bengaleiros, que permitiam não só guardar casacos, como também malas, compras e carrinhos de bebé; carregamento de telemóveis; expedição de livros por correio; um espaço de perdidos e achados; um centro bebé, situado na entrada sul da feira, espaço que permitia aos pais darem de comer aos filhos, aquecer a comida dos bebés, mudar fraldas ou amamentar; o serviço público de bicicletas, bem como o serviço de personalização de chapéus e blocos de notas na hora.

Mais de um milhão de pessoas passaram por aquele espaço, gente de diversas nacionalidades, inclusive pessoas que saíram de outros países com o objectivo de vivenciarem a maravilhosa Feira do Livro de Lisboa. Alunos de diversas escolas, de forma organizada, visitaram a feira, bem como famílias inteiras.

Tive a honra de estar presente, de forma oficial, no dia 13 de Junho, em sessões de autógrafos, onde pude captar a fome de leitura e de obtenção de conhecimento dos leitores, particularmente, a curiosidade de conhecerem o pensamento de escritores africanos.

Várias pessoas queriam conhecer o nosso trabalho. E eu, com muito orgulho, tive a honra de escrever o nome de Angola naquele evento. Poder falar com os leitores, debater temas, opinar, ouvir as opiniões e críticas dos mesmos e interagir tornou cada momento numa ocasião histórica e única. E quando era questionado: “de onde és”, eu, com muito orgulho e um sorriso aberto, respondia: “sou de Angola…” As feiras do livro têm a missão de estimular a leitura, desenvolver o conhecimento e, concomitantemente, promover o país, a cultura, a arte, a criatividade, o conhecimento, atrair turistas e realizar bons negócios, porque a arte também é um bom negócio.

A feira permite encontrar uma diversidade enorme de livros a baixo preço, acompanhar ciclos de debates com especialistas e autores que se juntaram para transmitir conhecimentos e ideias; assistir a bons concertos, oferecidos por diversos artistas convidados, que oferecem de forma gratuita várias sonoridades e que permitem aos presentes viajar pelo tempo e pelo mundo. Nunca vi tanta gente junta a ler… sentada na relva ou num dos diversos bancos disponíveis… a ler.

Literatura, arte, música e restauração podem, sim, constituir atractivos para turistas visitarem o nosso país. Porém, não nos podemos esquecer do trabalho de casa, a necessidade de definirmos um plano nacional de leitura obrigatória e efectiva para os nossos alunos e estudantes, para que desde tenra idade comecem a despertar o gosto pela leitura, bem como a capacidade cognitiva e criativa para desenvolverem e promoverem o vocabulário e melhorar a ortografia.

Almejo que, no futuro, Luanda seja capaz de organizar a maior feira do livro de África e possa constituir-se como o principal centro de produção de arte do nosso continente. Para tal, só precisamos de organização e de arregaçar as mangas.

 

Por: OSVALDO FUAKATINUA

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