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Tremor de terra agita Benguela, Huambo e Bié e causa cerca de 30 desmaios

Um tremor de terra de baixa magnitude foi sentido durante alguns segundos, perto das 10 horas da manhã de ontem, em Benguela, Huambo, Huila e Bié. O fenómeno natural deixou várias pessoas apreensivas, causando cerca de 30 desmaios. Entretanto, especialistas apelam à calma, sustentando que Angola não tem histórico de sismos de grande magnitude

Jornal Opais por Jornal Opais
6 de Junho, 2024
Em Manchete

No prédio de dez andares do complexo escolar do Williet, alunos entraram em pânico, face ao abalo registado, havendo, entre eles, quem tivesse perdido os sentidos devido ao susto. Esse é o segundo abalo de terra na província de Benguela, depois do ocorrido, há três anos, no município da Ganda.

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Habitantes das cidades do litoral de Benguela sentiram, no interior das suas residências, movimentos de electrodomésticos e outros mó- veis sem, em princípio, saberem o que efectivamente teria acontecido, sendo que o esclarecimento surgiu momentos depois, quando especialistas descreveram-no, por via de rádios locais, o que significava aquele fenómeno natural de pequena magnitude ora registado, que durou apenas alguns segundos.

“Senti um pequeno tremor que fez por aí uns três ou quatro se- gundos”, disse um cidadão, que se apresentou como João, ao que a cidadã Vilma acrescenta e diz ter sentido enjôos ao longo do registo sísmico. “Eu senti, tipo, a pare- de mesmo a mexer. Estava a mexer mesmo com muita velocidade, só que depois parou”, explicou. “Só sei que eu estava ao espelho e o espelho estava a mexer.

Pensei que eu é que estivesse com tontura, mas a moça que trabalha comigo também sentiu”, rematou um outro cidadão bastante apreensivo. Esses relatos traduzem apenas parte do pânico na sequência do abalo sísmico, ocorrido na manhã de Quarta-feira, em artérias de algumas cidades do centro-Sul de Angola. O movimento de sobe- e-desce em alguns prédios era frenético, com destaque para os edifícios nas famosas ruas da Movicel e Serpa Pinto, além de outras no centro da cidade do Lobito. Em meio àquele movimento da terra, todos queriam abandonar o interior das suas residências e estabelecimentos e, nesse movimento, houve quem tivesse torci- do os membros inferiores.

25 casos de desmaios

O Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) em Benguela foi chamado a intervir. O responsável do INEMA, Hernani Francisco, deu conta do registo de 25 casos de desmaios, principalmente em edifícios escolares. “Estamos a falar de alunos do colégio Williet, do colégio Ombaka Benguela, do prédio da Movicel e também defronte ao Café da Cidade.

Neste momento, nós demos toda a assistência médica e medicamentosa aos pacientes. Todos eles com desmaios e levamos até ao Hospital Geral de Benguela”, esclarece. Esses dados não são definitivos. Entretanto, para além do município sede da província, Benguela, o tremor, de resto, sentiu-se, igualmente, no município da Catumbela, onde moradores da centralidade do Luhongo manifestaram também apreensivos face a um ligeiro abanar de prédios. “Fiquei bem preocupada com esse abanar. Senti o meu armário a mexer”, sustentou a jovem Maria do Céu.

Um olhar “clínico” de especialistas

O geólogo João Huvi sustenta ser normal a ocorrência desse tipo de situação. Dentro do mapa geológico de Angola, argumenta, tal fenómeno é, deveras, previsível e diz que não se trata de tremores que inspirem alguma preocupação, por ser de magnitude baixa, na escala de 2 a 3, a julgar pelas características desse fenómeno. Segundo o especialista, “não são tremores de grande preocupação.

Assim são classificados”. Do Cuito, província do Bié, e Huambo chegam também informações que apontam para o registo do mesmo fenómeno, por volta das 9 horas. No Huambo, por exemplo, edifícios ficaram com algumas fissuras e muitas pessoas acabaram também por desmaiar, segundo dados colhidos por este jornal. “Eu só senti já a parede a mexer. Perguntei ao meu colega se também tinha sentido, mas ele disse que não.

Mas a parede mexeu mesmo”, explicou-se, em declarações à TV ZIMBO uma habitante da cidade planáltica do Huambo. O ambientalista João Buaio, por sua vez, socorre-se de aspectos técnico-científicos para sustentar que a terra é suportada por placas tectónicas e o sismo registado resulta de choque entre estas.

As placas formam o conjunto de rochas que dá sustentabilidade e protege o planeta terra, de sorte que o especialista tenha esclarecido que, por não serem estáticas e estarem em constante movimento, as placas, volta-e-meia, se afastam umas de outras. Mas, em determinadas circunstâncias, conforme disse, essas podem mesmo colidir. “Há que perceber que o próprio planeta terra é sustentado por placas. E essas podem colidir. Essa colisão também pode resultar em sismo ou tremor de terra”, resumiu o especialista, em entrevista à rádio Benguela.

Fonte: POR: Constantino Eduardo, em Benguela
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