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Antropólogo considera que o atraso no funeral de Caleb ‘compromete’ a paz da família

Maria Custodia por Maria Custodia
12 de Março, 2024
Em Manchete

O facto de os restos mortais do músico Caleb Nzinga apenas serem sepulta- dos amanhã, passados vários dias desde que sucumbiu, a 29 de Fevereiro, segundo o antropólogo Eduardo José Patrício, compromete a paz da sua família

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O especialista explicou ao jornal OPAÍS que, para o povo Bantu, do qual grande parte dos angolanos é originário, os mortos só têm o descanso eterno quando se confirma o enterro. Caleb Nzinga foi espancado brutalmente, com garrafas, paus e vários objectos contundentes, após ter sido acusado de gatuno, no dia 27 de Fevereiro.

Segundo apurou este jornal, os restos mortais vão a enterrar amanhã, perfazendo um total de mais de dez dias na morgue do Hospital Josina Machel. Eduardo Patrício considera que para a cultura ovimbundu que também não foge muito da realidade em geral, normalmente os mortos só tem o descanso eterno quando se confirma o enterro. Enquanto este acto não for consumado, a dor da família e da sociedade em geral é maior.

“Quando se recebe a notícia da morte de alguém, enquanto não enterrar o corpo, para o povo Bantu, o espírito deste ainda não está tranquilo, não só o do morto, como também o espírito dos vivos”, frisou. Acrescentou de seguida que “todo acontecimento também mexe com o espírito dos antepassados do malogrado, que também não ficam descansados”. No seu ponto de vista, só se encontra a paz verdadeira quando se confirma o enterro de alguém, seja um membro de sua família ou não.

Segundo a fonte, tanto a família do jovem Caleb, quanto a sociedade angolana em geral ainda não estão em paz. Esta paz só poderá ser alcançada depois da realização do funeral. “Para o povo africano não é bom. Deveria ser enterrado o mais cedo possível, visto que o prazo recomendado é de até quatro dias no máximo”, enfatizou.

Tendo em atenção que o atraso registado se deveu a uma exigência da família que quis que se procedesse à detenção dos presumíveis assassino primeiro, o antropólogo Eduardo Patrício explicou que “deveria se enterrar o mais cedo possível e depois se apurar os outros processos. Deveria se enterrar já já”. Para si, é urgente que se enterre os restos mortais do jovem, por- que a polícia, para fazer o apuramento dos factos, em muitos casos, não depende da presença do corpo da vítima.

O também professor disse que concorda plenamente que os autores da morte devem ser responsabilizados criminalmente, na medida em que os autores deste infausto acontecimento não só estão a causar uma dor profunda à família, mas também a sociedade em geral. O especialista aconselha os cidadãos ‘‘a manterem a calma e esfriar a cabeça, tendo em conta que as autoridades de direito farão o seu trabalho de forma mais célere’’, manifestando esperançado de que a comunicação possa fluir para trazer em cima da mesa toda verdade.

Família clama por apoio para filho e viúva de Caleb

Por sua vez, o primo do malogrado, Emanuel Augusto, disse que a maior preocupação da família neste momento é para com um filho, de 2 anos, e a mulher de Caleb, tendo em conta que ele era o pilar de casa e trabalhava honestamente para os sustentar. “Pedimos a sociedade e as pessoas de bom coração que olhem para esta mãe solteira que vai criar este filho sozinha, sem um pai para ajudar”, desabafou.

Segundo Emanuel Augusto, o óbito do artista se estendeu estes dias todos porque a família estava a espera que se realizasse a autópsia ao seu familiar, o que não aconteceu na data marcada. “A autópsia não foi feita na data marcada porque a equipa médica em serviço orientou que não seria necessário o procedimento porque já eram conhecidas as causas que o levaram a morte”, frisou. A fonte fez saber que Caleb, após ser barbaramente espancado, foi retirado do local ainda com vida e levado para a unidade hospitalar onde veio a sucumbir.

Deste modo, a família marcou a data para realização do funeral para o dia 12 de Março, no cemitério da Mulemba, vulgo 14, no período da tarde. “O velório será realizado na terça-feira, 11, no Marco Histórico do Cazenga, e o funeral na quarta-feira, 12, no período da tar- de”, frisou. Acrescentou de seguida que “vamos esperar que termine todos os funerais marcados para o mesmo dia e só depois vamos partir de casa para o cortejo fúnebre”. Emanuel Augusto afirmou que tem recebido apoio para o óbito da sociedade em geral e pessoas do Governo.

Por outro lado, avançou também que a família contratou um advogado que está a acompanhar o processo. Ainda assim, precisa de mais ajuda de especialistas desta área. “Todos que se disponibilizarem em se juntar a esta causa serão muito bem-vindos”, sublinhou. Acrescentou que “a recomendação que têm recebido do advogado é no sentido de a família manter a calma, esperar que se realize o funeral para depois darem continuidade do processo”.

Maria Custodia

Maria Custodia

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