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É de hoje… Handanga para sempre

Dani Costa por Dani Costa
19 de Março, 2024
Em Opinião

Creio ter sido pela voz da Mana Eva, ainda nos tempos em que o Hoji Ya Henda era o nosso habitat, que um dia fomos questionados sobre quem era a ‘Baby’.

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Já lá vão vários anos, mas é uma daquelas questões que surgem à memória quando temos a analisar as músicas e seus autores.

Impávidos, em plena sala, ninguém, mas absolutamente nenhum dos presentes, conseguiu fazer uma junção entre a Baby questionada pela senhora com todas as Babys citadas em músicas.

Tanto de autores já consagrados como de muitos os jovens que se lançam em vários estilos, muitos dos quais predominam principalmente nos ouvidos e mentes dos adolescentes.

Para a senhora, Baby era apenas uma única rapariga. E sempre que numa música se evocasse esse nome, era como se se dirigissem quase à mesma pessoa, razão pela qual se questionava sobre a persistência em se querer saber de uma única viva alma. Ainda é assim nos dias de hoje.

É o que se vê a nível da chamada New School, onde se apregoa quase sempre ao amor, sexo, luxo e até mesmo a alguma depravação, ou então à Old School, onde pontificam alguns nomes a nível do hip-hop, warrant B e outros estilos.

Distante de muitos destes círculos, assistindo a tudo quanto se vai lançando, com Baby para aqui, meu carro para acóla, o fio de ouro que comprei ou ainda o quanto se tem na conta bancária, o país viu nascer com humildade e encantando os seus concidadãos no país e noutras partes do mundo figuras que se perpetuarão com as suas canções.

Quando recebemos a informação de morte de Justino Handanga, vítima de doença em Luanda, ainda havia a esperança de que se tratasse de mais um daqueles assassinatos informáticos que só as redes sociais e a disseminação exacerbada de fake news produzem nos dias de hoje. Aliás, era bom que assim fosse.

Porque, afinal, são várias as entidades que são mortas quase que diariamente pelas redes sociais e em perfis apócrifos. Infelizmente, o autor de Carlitos, Valentim Amões, Olonamba e outros acabou mesmo por sucumbir vítima de doença.

E em Luanda, onde se encontrava internado há alguns dias, depois de já ter feito o mesmo percurso mais de forma satisfatória há poucos meses.

A comoção que se vê; as suas músicas cantadas em todo o lado, retratando o dia-a-dia, a vivência das suas terras de origem, com o seu umbundu original que, mesmo não entendido por muitos, faz com que as pessoas cantem e dancem, retratam a linda faceta de um percurso que, embora interrompido, será relembrado ao longo dos anos.

Foi um músico original. Preferiu retratar a sua Paulina invés das Baby que um dia a Mana Eva quis saber quem era ou onde se encontrava.

Estava distante das luxúrias e piadas daqueles que, sem representarem qualquer angolanidade profunda, preferem se repartir entre as chamadas Old ou New School.

Entre uma e outra, Justino Hanganda colocou-se num pedestal mais alto, elevando-se com a humildade que o caracterizava numa School Foverer, ou seja, ele será para sempre.

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