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Tia perde a vida após dentada do sobrinho na bochecha

Jaime Tabo por Jaime Tabo
16 de Novembro, 2023
Em Manchete

Um cidadão nacional, de 23 anos, decidiu partir para actos de agressão contra a sua própria tia, desferindo vários golpes à vítima, primeiro, com as mãos, e, depois, com os dentes, cortando parte das bochechas. A tia perdeu a vida e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) procedeu à detenção do implicado

Os factos aproximam-se de actos de canibalismo. O cidadão em causa escolheu a terça-feira, 7 de Novembro, para consumar as suas práticas delituosas, que tiveram palco no município de Talatona, distrito urbano da Cidade Universitária. A história narrada pelo SIC- Luanda tem marco à meia-noite do dia supracitado, numa altura em que a vítima, de 49 anos, Helena António Martins, se encontrava a repousar das actividades agrestes do dia.

Não se sabe o que ocorreu antes desse momento entre a tia e o sobrinho. Há um vazio que foi deixado para trás. Mas o facto é que, no interior de uma residência situada no bairro Nova Esperança, num instante, e impiedosamente, o acusado deu início a agressões contra Helena Martins, de acordo com o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC-Luanda, superintendente-chefe de investigação criminal Fernando Carvalho.

O implicado, cujo nome não foi revelado, cerrou as mãos, formando um punho, e, assim, golpeou a vítima. Acto contínuo, mordeu a malograda por um número de vezes impreciso na região da bochecha, chegando a arrancar parte daquele órgão humano, o que, pela hemorragia, causou morte imediata a Helena. “Tudo aconteceu quando o acusado, aproveitando que esta [a tia] se encontrava a dormir, surpreendeu-a e, num instante, sem dó, começou por agredila, desferindo vários golpes com o próprio punho, e, acto contínuo, mordeu-a vezes sem conta na região da bochecha, arrancando parte do tecido humano, causando hemorragia, que levou a lesada a sucumbir no local”, contou.

O suposto homicida, apercebendo-se de que a sua tia estava sem vida, e de formas a livrar-se do corpo, engendrou estratégias para montar um crime perfeito. “Arrastou-a até à rua”, acrescentou Fernando Carvalho. “Não existem crimes perfeitos”, ditam as ciências criminais. Neste caso, a imperfeição do acto residiu no facto de o acusado ter sido avistado por vizinhos, quando carregava a tia para o exterior da casa. Foi questionado as causas que o levaram a agir neste sentido.

Porém, em resposta, alegou que iria levar a sua tia ao hospital, pelo facto de que, mentiu, a vítima não estava bem de saúde. A narrativa não foi acolhida pela vizinhança, que notou a ausência de sinais vitais no corpo de Helena Martins. Com todas as evidências voltadas para acção criminal, o porta-voz desse órgão forense em Luanda referiu que os operacionais do SIC-Talatona se desdobraram em acções operativas que culminaram com a detenção do acusado no mesmo dia. Eram 6 horas quando o suspeito foi detido, para, posteriormente, ter sido apresentado ao Ministério Público e ao juiz de garantias que aplicou a medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva.

Número de casos de violência preocupa SIC Depois de detido, o acusado foi, ontem, apresentado à imprensa pelo SIC-Luanda, através da sua Direcção Municipal de Investigação Criminal do Talatona, no pátio do Comando Municipal do Talatona, onde o porta-voz manifestou a preocupação do seu órgão pelo elevado número de casos de violência doméstica na capital do país.

“O SIC-Luanda, através do seu Departamento de Violência Doméstica, tem-se mostrado bastante preocupado com o elevado número de casos de violência e apela à população em geral a não baixarem a guarda e denunciarem estes agressores”, apelou. Os familiares da malograda, que, igualmente, são do implicado, compareceram à apresentação pública e, visivelmente emocionados, clamaram por justiça aos órgãos de direito.

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