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Após acordo surpresa entre Teerão e Riade, Xi Jinping vira-se para Moscovo e Kiev

Jornal Opais por Jornal Opais
15 de Março, 2023
Em Mundo

Presidente chinês poderá visitar a capital russa já para a semana, mas também estará a equacionar falar pela primeira vez com o presidente ucraniano. Pequim quer ter uma maior intervenção no palco internacional, considerando que isso trará “energia positiva para a paz”.

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O presidente chinês, Xijinping, que quer que pequim tenha um papel mais importante na cena  internacional, poderá encontrar-se com o homólogo russo, Vladimir Putin, já na próxima semana em Moscovo.

Mas a visita que o Kremlin vê como o reforço dos laços entre os dois países, uma parceria “sem limites” que causa desconfiança no Ocidente, poderá não ser uma vitória total para os russos.

É que, segundo as fontes do Wall Street Journal, depois o líder chinês estará a equacionar falar pela primeira vez desde o início da guerra com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

No mês passado, quando recebeu um dos principais diplomatas chineses, Putin revelou que esperava Xi Jinping em Moscovo.

Mas, na altura, apontou-se para Abril ou Maio.

A viagem ainda não está confirmada, mas fontes disseram à Reuters que afinal poderá realizar-se já na próxima semana, mais cedo do que o previsto e numa altura em que o presidente acaba de ser reeleito para um terceiro mandato histórico à frente da China.

A visita surge também depois de Pequim ter tido uma importante vitória no palco diplomático internacional, tendo mediado um acordo entre o Irão e a Arábia Saudita para o reatar das relações – suspensas há sete anos e reabertura das embaixadas.

Um acordo que foi anunciado de surpresa na sexta-feira, após quatro dias de negociações, e que poderá ter impacto em todo o Médio Oriente.

Os iranianos, de maioria xiita, e os sauditas, de maioria sunita, surgem em lados opostos de vários conflitos – como no Iémen ou na Síria.

A intervenção da China, que mostra que já não recorre apenas a ferramentas económicas para provar a sua influência, deixa também a descoberto o facto de os EUA terem vindo a perder margem de manobra na região.

No caso da Ucrânia, a China alega a sua neutralidade no conflito, não tendo condenado a invasão russa ou alinhado com as sanções, e reiterado os apelos a uma solução pacífica.

Mas o seu apoio a Moscovo tem sido uma das tábuas de salvação económica para os russos.

E, numa altura em que Pequim prometia apresentar um “plano de paz” para o conflito, os norte-americanos denunciaram que estaria a estudar enviar armas para os aliados russos  algo que a China rejeita estar a pensar fazer.

No dia do primeiro aniversário da invasão, Pequim divulgou um documento de 12 pontos a que chamou “acordo político para a crise ucraniana”.

Entre outros aspectos, apela a Moscovo e Kiev para que retomem as negociações de paz, defende o respeito pela soberania de todos os países, pede que seja abandonada a mentalidade da Guerra Fria e insiste no fim das hostilidades.

Reitera a oposição ao uso de armas nucleares e defende o fim das sanções unilaterais.

O “plano de paz” foi criticado por muitos no Ocidente, considerando que coloca no mesmo plano o “agressor” e o “agredido”.

Contudo, não foi totalmente rejeitado pelos ucranianos, com Zelensky, que se tem mostrado disponível para falar com Xi, a defender que era positivo a China falar da Ucrânia.

Em Moscovo, a visita do presidente chinês ainda não foi confirmada, mas o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, disse ontem que as relações entre os dois países são importantes para a estabilidade global.

“As relações bilaterais entre os nossos países atingiram um novo nível sem precedentes e tornaram-se num factor principal de apoio à estabilidade global diante de tensões geopolíticas crescentes no mundo”, terá escrito Shoigu, segundo a agência Tass, num telegrama a um responsável militar chinês, próximo de Xi Jinping.

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