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Conselho de Segurança da ONU não é exemplo de paz e abriga maiores produtores de armas e participantes de guerra

Jornal Opais por Jornal Opais
27 de Abril, 2023
Em Mundo

Nessa Quarta-feira (26), em visita à Espanha, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre o conflito na Ucrânia e a pressão dos países ocidentais contra o Brasil, o presidente brasileiro afirmou que “não pode haver dúvidas sobre a opinião do Brasil”.

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“Por isso, eu sou incomodado com a guerra que está acontecendo entre a Rússia e a Ucrânia.

Ninguém pode ter dúvida de que nós brasileiros condenamos a violação territorial da Rússia contra a Ucrânia.

O erro aconteceu, e a guerra começou.

Agora não adianta dizer quem está certo ou errado.

Agora é preciso fazer a guerra parar. Porque você só vai conseguir discutir o assunto quando pararem de dar tiros”, afirmou Lula.

Lula também aproveitou o assunto da Ucrânia para criticar e questionar as acções do Conselho de Segurança da ONU.

“Nós vivemos num mundo muito esquisito. Vivemos num mundo em que o Conselho de Segurança da ONU, os membros permanentes, todos eles são os maiores produtores de armas do mundo e são os maiores participantes de guerras do mundo”, declarou Lula.

“Então fico me perguntando se não cabe a nós, que não somos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, fazer uma mudança na ONU”, questionou Lula, adicionando que países como a Espanha, Brasil, Japão, Alemanha, Índia, Nigéria, Egipto, África do Sul e outros países também deveriam fazer parte do órgão.

“A ONU era tão forte, que em 1948 ela conseguiu criar o Estado de Israel. Em 2023, ela não consegue criar o Estado Palestino”, afirmou Lula, sugerindo que é necessário criar um novo mecanismo internacional para tentar fazer coisas novas e diferentes.

“Quando os EUA invadiram o Iraque, não houve discussão no Conselho de Segurança.

Quando a França e a Inglaterra invadiram a Líbia, não houve discussão no Conselho de Segurança.

E agora a Rússia, que também é membro do Conselho fixo, também não discutiu.

Se os membros que têm a responsabilidade de dirigir a paz mundial não pedem licença, por que os outros devem obedecer?”, esbravejou Lula.

O presidente brasileiro também destacou que está na hora de começar a mudar as coisas, e que está na hora de “criar o G20 da paz, que deveria ser a ONU”.

EUA e China

Lula ainda comentou os “ataques” e “perseguição” dos EUA contra a China.

O presidente brasileiro citou o consenso de Washington, na década de 1980, quando os americanos criaram a ideia de que o mundo não teria mais problemas se fosse globalizado, e que a globalização era a saída para a humanidade.

E com essa promessa, todas as grandes empresas americanas foram investidas, enquanto a China soube tirar proveito dos investimentos.

“Não sei qual foi o milagre que eles fizeram, mas o dado concreto é que quando o Trump foi candidato e começou a dizer que era preciso tirar as empresas da China, para elas voltarem para os EUA, já era tarde.

A China já é a segunda economia e, possivelmente no próximo ano, será a primeira economia do mundo”, declarou Lula.

O líder brasileiro ainda destacou que os chineses chegarão ao posto de primeira economia mundial sem fazer guerra com nenhum país.

“Faz muitos anos que a China não faz guerra.

Isso é uma demonstração de que somente com muita paz é possível você aproveitar o dinheiro produzido pelo povo para poder gerar emprego e bem-estar social”, destacou.

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