A componente das transferências sociais monetárias, afecta ao programa Kwenda, está a ser implementada no município do Lucapa, província da Lunda-Norte, onde serão beneficiadas um total de 34 mil e 568 agregados familiares em mais de 220 bairros. No último final de semana, a equipa provincial do Instituto de Desenvolvimento Local (FAS) trabalhou nos bairros Triângulo, Mulombe, Samacola, Bungula, Satxamba, Thanda e Mutongo, onde cada família está a receber 66 mil kwanzas correspondente a duas prestações
O director provincial do FAS, João Nascimento Alfredo, afirmou que, a nível do município, se estima desembolsar mais de 2.000 milhões de kwanzas, o que, de certa forma, vai proporcionar um conjunto de acções que foram programadas no âmbito do Kwenda, tais como o fomento da agricultura familiar, entre outras preocupações.
Só agora o município está a ser beneficiado pelo programa porque os cadastramentos tinham sido feitos em 2024. No final de 2025, realizaram a validação comunitária, o que permitiu que parte das famílias que tinham algum cepticismo fossem cadastradas e aumentasse a cifra de beneficiários. “Este município está a ser pago com os recursos do Tesouro Nacional, significa que parte do governo angolano só conseguiu honrar agora, daí estamos a assumir este compromisso agora”, disse João Nascimento Alfredo.
Referiu ainda que a província da Lunda-Norte actualmente tem 19 municípios, olhando para a Nova Divisão Político-Administrativa, 100.080 aldeias, mais de 10 comunas e um total de 110.000 agregados familiares cadastrados. Parte dos 19 municípios conta com as transferências sociais pagas, à excepção do Lucapa e Xá-Cassau que estão a começar agora os pagamentos.
No total, 69.000 agregados familiares beneficiam das transferências sociais monetárias. “Nesta altura, em 11 municípios, já foram desembolsados mais de 8.000 milhões de Kwanzas. Temos o Cuango, como o município que mais prestação recebeu a nível da província da Lunda-Norte, e vamos continuar a fazer a prestação dentro de mais algum tempo nos municípios antigos”, frisou o director provincial do FAS.
Quanto aos municípios que já receberam as primeiras prestações das transferências sociais monetárias, de acordo com João Nascimento Alfredo, o balanço é positivo, tendo em conta que os números registados representam quase 80% do ponto de vista da aderência do processo. As famílias têm vindo a usar recursos para o consumo, actividade geradora de renda, agricultura familiar.
Da parte do FAS, continuam a fazer chegar os recursos às populações, cadastrar as famílias mesmo ali onde não têm acesso, para que ninguém fique de fora, e a olhar sempre para aquilo que são os valores que norteiam a instituição, que é a transparência e aprendizagem. “Este é o foco da instituição e nós estamos alinhados com estes compromissos. Nós somos uma instituição de desenvolvimento e estamos a crer que não vamos fugir do nosso foco, que é contribuir para o desenvolvimento do país”, assegurou João Nascimento Alfredo.
Aposta na literacia financeira
Para as outras componentes, a inclusão produtiva não está implementada a nível da província da Lunda-Norte, do ponto de vista de acções, de uma robustez como tal, mas tem acções paliativas, tais como a inclusão produtiva no pacote leve, que tem a ver com a questão da literacia financeira, do treinamento dos ADECOS. “Para a componente da municipalização da acção social, temos aqui impressões digitais muito visíveis. Recentemente inauguramos três centros de acção social integrados nos municípios do Cambulo, Lôvua e Cuango. Há resultados, do ponto de vista dos beneficiários do Kwenda e não só, com vulnerabilidade que ocorrem nesses centros e conseguem ter respostas”, defende.
A municipalização, além de ser a terceira componente, permite a aproximação dos serviços dos cidadãos, faz com que estes percorram poucas distâncias à procura deste bem. Sobre as dificuldades, a província da Lunda-Norte também se debate com as vias de acesso, no interior dos municípios. “Há zonas onde temos que fazer o percurso através de canoas, bóias e, ali onde não vai viatura, usamos motorizadas.
Mas, no final de tudo, estamos habituados com as dificuldades, o mais importante tem sido a capacidade de contorná-las, fazer com que ali onde há dificuldade de chegar conseguir usar outros meios para alcançar os objectivos e as pessoas não ficarem de fora”, conta. Disse ainda que o Kwenda não vai acabar com todos os problemas que as comunidades têm.
Há investimentos noutros sectores que devem ser feitos, e urgentes, para melhorar o atendimento das pessoas. João Nascimento Alfredo sublinhou que há desafios muito grandes, sobretudo, no que diz respeito à educação, que acredita ser um dos maiores constrangimentos que registam nas aldeias, porque muitos levam tempo para entender como funciona o processo.









