O Hospital Geral do Cubango passou a contar com uma fábrica de oxigénio medicinal, uma infra-estrutura que promete transformar significativamente a resposta clínica da unidade sanitária e reduzir custos operacionais. A entrega foi feita pelo ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísioda Fonseca, no quadro das celebrações do Dia da Paz e Reconciliação Nacional, cujo acto central decorre este sábado em Menongue
De acordo com o director do Hospital Geral do Cubango, Frederico João Carlos Juliana, a falta de uma unidade própria de produção de oxigénio representava um dos maiores constrangimentos da instituição. “Antes da chegada da fábrica era um desafio enorme, porque tínhamos que viajar até Lubango e Huambo para buscar este precioso gás, o que implicava custos elevados”, explicou.
Segundo o responsável, cada garrafa de grande porte custava cerca de 24 mil kwanzas, enquanto as menores rondavam os 18 mil. Com um consumo diário entre 15 e 20 garrafas, os encargos tornavam-se insustentáveis. “Muitas vezes, o doente é que esperava pelo oxigénio, o que agravava o seu estado clínico”, sublinhou.
Com a nova fábrica, o cenário muda drasticamente. A infra-estrutura tem capacidade para encher até 240 garrafas por dia, embora o hospital opte por uma produção controlada, entre as 8h00 e as 15h00, para garantir a durabilidade dos equipamentos. “Vamos gerir a capacidade para preservar os filtros e o sistema, assegurando funcionamento contínuo e sustentável”, esclareceu.
O impacto directo será sentido tanto na qualidade do atendimento quanto nas finanças da unidade. “O hospital vai poupar não menos de 15 milhões de kwanzas apenas com a aquisição de oxigénio”, revelou o director.
Actualmente, cerca de 30 pacientes por dia necessitam de oxigénio medicinal no hospital, sobretudo nas áreas de neonatologia, pediatria, cuidados intensivos e casos de emergência.
Recém-nascidos prematuros, crianças com malária — principal causa de mortalidade na província — e vítimas de acidentes rodoviários estão entre os principais beneficiários, enviados ao Cubango
Além da fábrica de oxigénio, a unidade recebeu também um aparelho de raio-X portátil, que permitirá realizar exames directamente junto aos pacientes, sobretudo em casos de múltiplos traumas. “Antes, havia muitas dificuldades para deslocar os doentes. Agora, o equipamento vai ao encontro deles”, destacou.
O Hospital Geral do Cubango atende diariamente entre 400 e 600 pacientes, entre consultas externas e urgências, e opera com um orçamento considerado limitado pelo seu director. Ainda assim, com os novos equipamentos, a expectativa é de uma melhoria substancial na capacidade de resposta e na qualidade dos serviços prestados à população.
Por: João Feliciano




