Pelo menos 20 crianças e adolescentes com diagnóstico de escoliose serão submetidos a cirurgias correctivas no próximo mês de Junho, no bloco central do Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento (CHDCP), numa iniciativa considerada inédita no sector público de saúde em Angola.
O anúncio foi feito pelo responsável do Serviço de Neurocirurgia da instituição, Dr. D’jamel Kitumba, durante uma sessão de esclarecimento que reuniu pacientes e familiares.
Segundo o especialista, a campanha resulta de um esforço conjunto do Ministério da Saúde de Angola, liderado pela ministra Sílvia Lutucuta, da Direcção do CHDCP e da parceria com a COPIA Group Companies, grupo empresarial angolano que decidiu apoiar a causa como parte da sua responsabilidade social.
A escoliose é uma patologia que afecta a coluna vertebral, provocando uma curvatura anormal e deformidades progressivas, sobretudo em crianças e adolescentes.
De acordo com Djamel Kitumba, quando não é diagnosticada e tratada precocemente, a doença pode evoluir para complicações graves na fase adulta, incluindo problemas neurológicos, respiratórios e cardíacos, comprometendo significativamente a qualidade e a esperança de vida.
Dados apresentados pelo médico indicam que cerca de 8% das crianças e adolescentes angolanos convivem com esta patologia.
No âmbito do projecto, será igualmente realizado um programa de rastreio nas províncias de Luanda e Namibe, numa primeira fase, com o objectivo de identificar precocemente novos casos.
A paciente Luísa Valentin, de 28 anos, que desenvolveu escoliose na sequência de paralisia infantil, manifestou gratidão à ministra da Saúde, à Direcção do hospital e à empresa parceira pela oportunidade de realizar a cirurgia que, segundo afirmou, representa uma nova esperança de vida.
Floriano Henriques, de 23 anos, que enfrenta a doença desde os 14, também expressou satisfação pela possibilidade de finalmente ser submetido ao tratamento cirúrgico.
A sua mãe, Gizela Henriques, recordou as várias tentativas frustradas para encontrar solução médica e sublinhou que a situação já abalava a esperança da família. Na ocasião, apelou a outras empresas para que se envolvam em iniciativas sociais semelhantes.
Por sua vez, Luísa, mãe da pequena Naísa, relatou as dificuldades enfrentadas diariamente pela filha, sobretudo na realização de tarefas básicas como higiene e alimentação.
A encarregada incentivou outras famílias a procurarem apoio médico em instituições como o CHDCP e defendeu maior engajamento do empresariado nacional em causas ligadas à saúde.
A direção da unidade hospitalar considera que a campanha poderá representar um marco no tratamento da escoliose no país, abrindo caminho para a ampliação do acesso a cirurgias especializadas no sistema público de saúde.









