O grito de socorro foi dado, nesta semana, pelo presidente da Associação dos Criadores de Gado de Benguela, Manuel Franco, ao defender a necessidade urgente de se construír chimpacas e represas para o armazenamento de água. Em declarações à rádio RNA/Lobito, o responsável reportou a morte, nos últimos dois meses, de cerca de 100 cabeças de gado, sobretudo bovino. Entretanto, o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, Leilande da Costa, garantiu, num contacto com este jornal, que os criadores de gado não estão “abandonados” e que Governo está à procura de soluções
O alarme dos efeitos nefastos da seca, causada pela falta de chuva nos últimos meses em Benguela, foi accionado pelo presidente da Associação dos Criadores de Gado de Benguela, Manuel Franco. O responsável revela que a falta de água está a causar enormes constrangimentos para os agricultores e pecuaristas.
Maior parte destes tem feito contas à vida e assiste, incapaz, à morte de um número significativo de animais, com destaque para bois – segundo informações colhidas por este jornal. O cenário vigente sugere, na perspectiva de pecuaristas, uma intervenção urgente das autoridades, lembrando que, ao tempo do governador Luís Nunes, o Governo dispunha de um “ambicioso” projecto de construção de represas e chimpacas, visando o armazenamento de água para fazer face ao tempo de seca, como aquela a que se tem assistido.
A contabilidade dos criadores de gado aponta, de resto, para possível morte de mais de 40 mil cabeças de gado, caso as autoridades não se movam. Num tom de desespero, o presidente da Associação dos Criadores de Gado, Manuel Franco, disse, em declarações à rádio Lobito, que era urgente a construção de infra-estruturas para armazenar água, de maneira a que se possa salvar o gado.
O responsável até minimiza a falta de pasto, também causada pela seca, sendo que a maior preocupação recai mesmo para a água, porque é fundamental. Os criadores de gado já não têm mais capacidade.
Os camiões
Ele projecta apenas para Abril e Março o registo de chuva com alguma regularidade, em função do que a prática tem ditado, por isso acena rapidamente para o sector das Pescas, de quem espera soluções urgentes face à ameaça de morte de milhares de cabeças de gado.
“Em dois meses, já perdemos quase cem cabeças. Ainda há outros bois a morrer”, informa. Por ora vai-se assistindo – declara – a um fenómeno de transumância sem precedentes, sobretudo para a vizinha província do Cuanza-Sul.
Porém, diz que esta realidade tem resultado em roubos de animais. “No tempo do senhor governador Luís Nunes, estava tudo, mas tudo preparado para fazer já as chimpacas, mas, até hoje, não temos nenhuma resposta. Eu não sei se o novo (governador) tomou nota desse problema”, reclama.
Por: Constantino Eduardo, em Benguela









