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Rede de jogos ilegais contratava angolanos como “isca para os golpes”

Jornal OPaís por Jornal OPaís
5 de Março, 2026
Em Sociedade

Uma rede de exploração de jogos online foi detida, recentemente, no município da Camama, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC). O grupo usava angolanos para arrecadar dinheiro com os jogos online

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A rede actuava numa residência, localizada no interior de um condomínio, no município da Camama, que funcionava como centro clandestino de exploração organizada de jogos online. Esta era liderada por três cidadãos de nacionalidade chinesa, detidos em flagrante delito durante a operação. Além destes, o SIC deteve também um cidadão angolano, directamente envolvido, por tentativa de fuga, e procedeu à apreensão de diversos meios electrónicos, sendo 35 computadores, router, 14 telemóveis, valores monetários em kwanzas e dólares, entre outros.

Segundo o SIC, para consumar os actos, a rede contratou 20 angolanos, cuja missão era jogar sem parar, 24 horas ao dia, num trabalho escravo, com cinco jogos em simultâneo, com promessas de salários variáveis entre os 50 mil e 100 mil kwanzas, conforme os resultados.

De acordo com Manuel Halaiwa, porta-voz do SIC-Geral, a investigação preliminar determinou que a actividade criminosa consistia em acumular os pontos e moedas virtuais, que posteriormente eram transferidos para contas sediadas na República Popular da China, onde eram convertidos em renminbi (moeda oficial da República Popular da China).

Após conversão, os valores eram reenviados para Angola através de circuitos financeiros que se encontram sob apuramento. “Importa referir que este tipo de jogos é proibido na China, onde existem restrições rigorosas para combater o trabalho forçado, a dependência digital e os efeitos sociais negativos associados aos jogos online, cujos acessos devem ser limitados, sobretudo para os jovens, devido aos impactos, como a dependência, isolamento social, perturbações do sono, ansiedade e diminuição do rendimento escolar”, frisou o porta-voz do SIC.

A exposição prolongada a estes jogos, durante várias horas consecutivas, representa um risco sério para o equilíbrio emocional e social dos jovens. A detenção da rede ocorreu através da Direcção Nacional de Combate aos Crimes Informáticos, em coordenação com a Direcção Central de Operações, LCC e o Instituto de Supervisão de Jogos, mediante cumprimento de mandado de revista, busca e apreensão.

O SIC afirma que tem estado a registar casos semelhantes de casas clandestinas dedicadas a este tipo de jogos, cujo objectivo é a produção intensiva de moeda virtual para posterior troca por dinheiro real na China.

“Esta prática gera elevada preocupação, por poder potenciar esquemas de branqueamento de capitais e outros crimes económicos-financeiros”, asseverou Manuel Halaiwa. Os cidadãos detidos durante a acção do SIC serão presentes ao Ministério Público para trâmites legais subsequentes, enquanto outras diligências prosseguem para o seu total esclarecimento.

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