A província da Huíla afirma-se como uma das mais ricas do país em recursos minerais, com a existência de matérias-primas estratégicas como o ouro, o ferro, o lítio e o nióbio, elementos muito utilizados no sector industrial, como é o caso da indústria aeroespacial. No entanto, é no leste da província — concretamente nos municípios da Jamba Mineira, Chipindo e Dongo — que o ouro destaca-se como o principal recurso explorado, tanto por empresas devidamente autorizadas como por garimpeiros informais. Paradoxalmente, o minério que poderia impulsionar o desenvolvimento económico e social destas circunscrições é encarado pelas populações locais como uma verdadeira “praga”, devido “às condições de pobreza e exclusão social”
Apesar da presença de empresas como a Chicuamona, Lafech, Mpopo, OMATAPALO e a Sociedade Mineira do Chipindo, a falta de transparência sobre os níveis de produção e o impacto das suas actividades levanta sérias dúvidas quanto ao cumprimento das responsabilidades sociais.
A realidade no terreno contrasta com o potencial mineral: falta de escolas, unidades sanitárias, água potável, energia eléctrica e vias de acesso condignas continuam a marcar o quotidiano das populações. Ao mesmo tempo, a falta de emprego nas empresas formais tem empurrado, sobretudo, os jovens para o garimpo ilegal, actividade que atrai milhares de pessoas e envolve também cidadãos estrangeiros na cadeia de compra do ouro.
“Cidade Azul”, um território com regras próprias dentro do município da Jamba
Na localidade da Palanca, município da Jamba, ergueu-se um dos maiores centros de garimpo ilegal da zona, conhecido como “Cidade Azul”, devido à predominância de barracas cobertas com lonas azuis. Com mais de mil comerciantes e igual número de estruturas improvisadas, o local funciona como um verdadeiro mercado paralelo, onde circulam bens e dinheiro fora de qualquer controlo formal do Estado.
POR: João Katombela, na Huíla
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