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Ministra da Saúde presencia primeira intervenção cerebral invasiva no país

Jornal OPaís por Jornal OPaís
18 de Fevereiro, 2026 - Actualizado a 19 de Fevereiro, 2026
Em Sociedade

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, testemunhou, na manhã desta quarta-feira, 18, a realização de um procedimento cirúrgico minimamente invasivo para o tratamento de patologias vasculares cerebrais no Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha Pedalé (CHGEPMTP), em Luanda.

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O acto insere-se no conjunto de intervenções iniciadas na passada Segunda-feira, 16 de Fevereiro, marcando a implementação efectiva do Serviço de Neurorradiologia de Intervenção naquela unidade hospitalar pública.

A governante esteve acompanhada pelo director-geral do complexo hospitalar, doutor Eugénio Albano, membros do Conselho de Direcção, técnicos e gestores da instituição, bem como pelo coordenador e gestor técnico do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, professor doutor Job Monteiro.

Desde o arranque do programa, o CHGEPMTP realiza o primeiro conjunto de procedimentos minimamente invasivos para o tratamento de patologias vasculares cerebrais na rede pública de saúde em Angola.

Com a implementação do serviço, tratamentos complexos que anteriormente eram realizados no exterior passam agora a ser assegurados no país, com ganhos técnicos, clínicos, financeiros e pedagógicos. Até aqui, Angola enviava pacientes com patologias neurovasculares complexas para tratamento fora do país, com um custo médio de 200 mil dólares norte-americanos por paciente, incluindo transporte, internamento e subsídios, totalizando cerca de 2,4 milhões de dólares para apenas 12 casos.

Nesta primeira fase, o custo estimado para 12 intervenções no CHGEPMTP é de aproximadamente 50 milhões de kwanzas, representando uma poupança superior a 75% para o Estado.

Durante a visita, a ministra assistiu a um procedimento realizado por via endovascular, técnica que permite aceder ao cérebro através da artéria femoral, sem necessidade de cirurgia aberta ao crânio.

As intervenções incluem o tratamento de aneurismas cerebrais, a correcção de malformações arteriovenosas e a embolização de fístulas arteriovenosas.

Até ao momento, cinco pacientes, com idades compreendidas entre os 35 e os 60 anos, foram submetidos ao procedimento, todos com evolução clínica favorável, tendo deixado os cuidados intensivos e transitado para o internamento regular. A previsão é alcançar entre 12 e 13 intervenções até ao final da semana.

A liderança técnica do projecto conta com a participação do especialista brasileiro Carlos Clayton Freitas, presidente da Associação Brasileira de Neurorradiologia de Intervenção, que se encontra em Angola no âmbito de uma missão de formação e assistência especializada. Integram igualmente a equipa médica nacional os doutores Wilsom Teixeira (neurocirurgião), Celestino Delgado (radiologista), Jucelene Bisi Simão (anestesista) e Áurea Catata (anestesista), entre outros profissionais.

Sílvia Lutucuta destacou que 99% da equipa envolvida é composta por profissionais angolanos, entre anestesistas, enfermeiros, radiologistas, neurocirurgiões e técnicos, sublinhando o forte componente pedagógico e de transferência de conhecimento associado à iniciativa.

“Estamos a celebrar mais um marco histórico do nosso sector. Estamos a investir em infra-estruturas, equipamentos de ponta e na formação dos nossos quadros. Este é o caminho da verdadeira reversão da dependência externa”, afirmou.

A ministra anunciou ainda que mais de 160 profissionais de saúde seguirão esta semana para especialização no Brasil, no âmbito de um programa que prevê formar 38 mil quadros em cinco anos, com mais de mil especializações internacionais previstas apenas para o presente ano.

Enquanto médica especialista em cardiologia, a governante explicou aos jornalistas o impacto da técnica minimamente invasiva, destacando a redução do tempo de internamento, a diminuição de complicações pós-operatórias, a recuperação mais rápida e a maior proximidade familiar para os pacientes.

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