No extremo leste de Angola, renasce o município do Luau. Outrora uma vila adormecida entre as cicatrizes da guerra, é hoje o pulmão económico da província do Moxico Leste, criada em Setembro de 2024. Entre os carris do Caminho-de-Ferro de Benguela, as agências do BPC e do BIC e uma nova plataforma logística, o Luau volta a ter lugar no mapa. Uma central fotovoltaica com 55 mil painéis solares será inaugurada pelo Presidente da República — e com ela acende-se a certeza de que o leste do país já não é só promessa
Poucos o sabem, mas, antes de ser Angola, esta faixa de território pertenceu ao Congo Belga. Foi preciso um tratado assinado em Luanda, a 22 de Julho de 1927, para que Portugal e Bélgica se entendessem e desenhassem a fronteira que hoje, diariamente, mais de 500 pessoas atravessam a pé, de bicicleta ou de carroça. O nome Vila Teixeira de Sousa ficou na história em 1975, quando a independência devolveu-lhe o nome de Luau. Mas o capítulo mais duro talvez tenha sido o de 24 de Dezembro de 1966, quando a UNITA atacou a localidade e tirou a vida ao chefe da PIDE no leste angolano e a três civis.
O MPLA, que já operava na região desde o início daquele ano, faria dali uma das suas mais sólidas bases militares da Frente Leste. Desde então, a guerra passou. O comboio ficou. E o Luau resistiu. Hoje, o centro nevrálgico da economia do Luau não tem arranha-céus nem bolsa de valores. Tem apenas duas agências bancárias: uma do Banco de Poupança e Crédito (BPC) e outra do BIC.São estas duas dependências que seguram, em depósitos modestos e em envelopes de kwanzas bem contados, os sonhos de uma população maioritariamente dedicada aos pequenos negócios.
As duas instituições financeiras bancárias atendem, segundo testemunhos, até mesmo comerciantes da vizinha Dilolo, na RDC, que vêm depositar kwanzas e levantar dólares, num vai-e-vem que faz do Luau um ponto de encontro monetário entre duas nações. “Aqui a gente resolve. É longe de tudo, mas o banco não nos falha”, explica um jovem congolês que, sem gravar entrevista, dá apenas o nome de Trésor.









