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Jovens lucram com a lotação de táxi em meio às adversidades

Stela Cambamba por Stela Cambamba
20 de Junho, 2025
Em Sociedade
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Grande parte dos jovens que decidem organizar as paragens, chamar pelos passageiros, vulgo “lotadores”, diz não ter Bilhete de Identidade, factor que os impossibilita de conseguir outra ocupação. Assim, têm a lotação de táxi como fonte de rendimento para o sustento de suas famílias, onde chegam a lucrar diariamente, dependendo da paragem, até 30 mil kwanzas. A “luta pelo pão” tem sido dura, entre o desentendimento com os cobradores/automobilistas e o facto de serem marginalizados em muitas paragens

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Entre os turismos e os azuis e branco, ou mesmo os miniautocarros, jovens garantem a lotação da viatura no valor que varia dos 50 aos 500 kwanzas, dependendo do número de passageiros que for colocar na viatura com o seu chamamento.

Em algumas paragens, estão identificados com camisolas timbradas, com a escrita ANATA e a identificação da paragem, noutras, nem tanto, mas dizem conhecerem-se todos.

Na paragem do São Paulo, em frente aos edifícios, estavam parados alguns turismos a fazerem serviço de táxi. Paulino Lucas, mais conhecido por Sete, na manhã de terça-feira, dia 17, era o responsável do caixa, a ele cabia a responsabilidade de receber a metade do valor que cada lotador cobrava no táxi.

O trabalho começa às quatro horas da manhã e termina às 23 horas, divididos em dois grupos, o primeiro das quatro horas até às 14 horas, e o da tarde que vai das 14h15 até as 23h. Sete conta que no passado a polícia corria com eles.

Depois de se reunirem com a direcção da ANATA e o grupo Alamedas (moradores dos edifícios), a situação melhorou e o trabalho tem corrido bem. Quando aparece um elemento desconhecido a lotar, é convidado a se retirar.

Até ao final da tarde, o lotador pode conseguir três a cinco mil kwanzas, enquanto no caixa, ao terminar o dia, podem ser contabilizados 23 a 27 mil kwanzas. Cada placa tem um valor a dar por d i a, estabelecido pelo líder, e no final o homem da caixa recebe algum valor da mão do chefe.

Entre os lotadores, a equipa tem o dever de ajudar o colega quando este se encontra com algum problema, seja de saúde, infortúnio ou se for acusado de ter subtraído algum bem numa das viaturas, por exemplo.

Essa união também é visível na paragem da Gajajeira, distrito urbano do Rangel, onde a nossa equipa conversou com Domingos Francisco, lotador de Hiace há seis anos.

Nesta placa, o cidadão começa o trabalho as seis horas e termina as 18h, de segunda a sábado, e chega a lucrar diariamente entre 40 e 50 mil kwanzas – dinheiro este que é dividido com os seus superiores e o caixa do grupo, sendo que cada lotador, no final do dia, chega a levar entre três a quatro mil kwanzas.

A falta de Bilhete de Identidade é a dificuldade apresentada e disse que a maior parte dos seus colegas está na mesma situação, por isso vê a lotação como única escapatória. Assim, entre eles há a ajuda mútua, quando têm dificuldades financeiras, problemas de saúde e quando perdem um ente querido.

Ex-militar vê-se obrigado a ser lotador

Desde que Lopes Makiesse, de 46 anos de idade, com sete filhos, caiu na condição de desertor das FAA e não conseguia mais ficar em casa, viu a opção de ser lotador a única saída para levar o pão em casa. “O desemprego é o que nos faz estarmos aqui na placa.

Entendemos a situação, cada um de nós tem a sua família, pretendemos ajudar nossas famílias. Pelo facto, viemos aqui na estrada para ver se pelo menos o pão conseguimos levar em casa”, disse.

Inicialmente, em conjunto com alguns amigos, decidiram organizar a paragem, designada placa da Metodista. Porém, uns começaram a chamar clientes para os táxis e recebiam algo em troca.

Vendo a situação, decidiram também começar a lotar os carros e serem pagos pelo serviço. “Vi algo positivo, porque eu não conseguia mais passar o dia em casa, enquanto tenho família para sustentar.

Começamos a nos organizar, dividimos o grupo em dois e cada um teve um dia de trabalho. Então, é assim que nos organizamos, inicialmente, até que hoje a ANATA apareceu”, acrescentou.

O grupo do Makiesse era composto por 25 elementos, actualmente são apenas 20, os outros faleceram por acidente no local de trabalho e doença. “Até então, a ANATA nos apoia em alguns aspectos, mas ainda estamos a necessitar de identificação, reconhecimento, profissão, formação, um curso técnico, entre outros.

Temos aqui colegas que não têm bilhete, que não têm apoio, eles só vêm aqui trabalhar aqueles quatro, cinco mil kwanzas/dia que conseguem, para sustentar a família”, disse

. Disse que alguns lotadores já sabem conduzir carros, mas por falta de identidade não têm como tratar uma carta de condução para se legalizarem como motoristas. Makiesse pertencia à 1.ª brigada de infantaria e motorizada, situada na província do Bengo, porém, de 1997 a 1999, antes da morte do Simione Mucune, foi segurança pessoal, na província do Bié e, em 2000, foi transferido para o Bengo.

Conta que estava doente, pelo facto, se ausentou das FAA, em 2016. Em 2020, chegou a fazer a prova de vida, porém, até a actual data, aguarda pela chamada, já que almeja voltar para a vida militar.

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Stela Cambamba

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