Os dados foram avançados pelo técnico de vigilância epidemiológica do Gabinete Provincial de Saúde do Huambo, Albino Huambo, que apontou o desmame precoce na base dos mais de mil casos de mánutrição registados, ao revelar a morte de mais de 500 casos, isto é, só em 2025. Técnicos de saúde alertam para mais qualidade do leite distribuído às crianças nos centros de desnutrição. Em virtude da situação, o Governo Provincial do Huambo corre atrás de estratégias para combater o fenómeno
No Planalto Central, as mães estão a ser aconselhadas a apostar seriamente na amamentação, face aos males que o desmame precoce tem causado na vida das crianças. A posição das autoridades surge em função dos casos registados em 2025, que funcionaram como se fosse um “alarme de preocupação”.
O quadro de desnutrição foi, de resto, objecto de análise na segunda reunião ordinária do governo local, sob orientação do governador da província, Pereira Alfredo.
Citado pela Rádio Nacional de Angola (RNA) naquela região, o técnico de saúde e de vigilância epidemiológica do Gabinete Provincial de Saúde, Albino Huambo, sinalizou que, se comparado a 2024, os casos de desnutrição infantil registaram um aumento de 1095 casos, sendo que o mesmo se dá em relação aos óbitos, que, no período anterior, foi de 189.
“Foram registados 6.105 casos e 516 óbitos em casos de desnutrição infantil (em 2025)”, revelou, em declarações à imprensa, tendo apontado os municípios da Caála e do Bailundo como aqueles que mais entraram nas estatísticas.
“Mas, também, tivemos alguma redução, como são os casos dos municípios do Mungo, bem como o do Catchiungo”, refere. O desmame precoce e a falta de alimentação complementar são apontados pelo técnico de saúde como base da desnutrição infantil ora registado na província do Huambo, nas duas unidades especiais de desnutrição controladas.
“A mãe está grávida e não pode amamentar, porque aquela gestação pode fazer mal à criança. Também dificuldade na introdução de alimentação complementar. Acha que aquele tubérculo que ele produz e a carne deve vender e isso aí, aliado ao desmame precoce, porque o leite é importante para o bebé, causa essa desnutrição”, sustenta.
Face ao quadro descrito como preocupante, o Governo Provincial do Huambo tem traçado uma série de estratégias tendentes ao combate à má-nutrição dos zero aos 5 anos, que passam, sobretudo, pela sensibilização, associada ao planeamento familiar. As autoridades projectam, por isso, a criação daquilo a que chamam de “ cozinhas instrutivas”.
Para essa empreitada, as autoridades sanitárias esperam contar com o envolvimento de líderes religiosos e autoridades tradicionais, além de outros agentes de socialização como as escolas.
“A distribuição de mensagens chaves nas escolas, mercados e nos municípios com maior incidência. Fez-se também a elaboração de um plano estratégico a nível da província para o combate à desnutrição. E fez-se a criação de comités (…) Esses comités são constituídos por sectores-chave, como agricultura”, sinaliza o responsável.
Mais qualidade no leite
Alguns técnicos de saúde com quem este jornal esteve à conversa, via telefónica, a partir da cidade do Huambo, defenderam a necessidade de se imprimir mais qualidade ao leite que é servido nos centros de combate à desnutrição. Sob anonimato, duas técnicas de um dos centros de desnutrição lamentaram que “o leite servido é muito fraco.
Nós já reportámos isso à direcção, o leite que temos recebido é pouco, porém as crianças esperam ter do centro algum socorro, mas tem de se dar um leite mais forte.








