As autoridades sanitárias da província da Huíla mostram-se preocupadas com o aumento dos casos de doenças mentais, que afectam principalmente jovens em idade activa, com destaque para patologias associadas aos jogos, ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas, bem como à depressão.
A preocupação foi manifestada, hoje, na cidade do Lubango, pelo director em exercício do Hospital Psiquiátrico da Huíla, Idisibal Aldino, durante uma palestra alusiva ao denominado Setembro Amarelo, mês dedicado à sensibilização e prevenção das doenças mentais e do suicídio.
O responsável defendeu que o mês não deve ser encarado apenas como um período de campanhas e partilha de cartazes nas redes sociais, mas também como um momento de reflexão no seio das famílias sobre os sinais que podem ajudar a identificar problemas de saúde mental entre os seus membros.
Idisibal Aldino afirmou que é necessário falar sobre saúde mental antes que a dor se transforme numa crise, reconhecer os sinais antes que o silêncio dê lugar ao isolamento e procurar ajuda antes que uma pessoa chegue ao limite.
“Os números que chegam diariamente ao Hospital Psiquiátrico da Huíla mostram que estamos diante de um problema que não pode ser tratado como secundário. Só para termos uma ideia, no primeiro semestre deste ano, o Hospital Psiquiátrico da Huíla atendeu mais de 6 mil e 500 pacientes, e muitos dos casos estão relacionados com quadros como depressão grave, consumo excessivo de álcool e outras drogas, jogos patológicos, transtornos de humor e transtornos afectivos bipolares”, descreveu.
O responsável explicou que estes factores podem, em determinadas circunstâncias, estar associados a pensamentos, comportamentos ou até mesmo a actos de suicídio. Por isso, acrescentou, a família desempenha um papel importante na prevenção das doenças psíquicas, devendo estar atenta às mudanças de comportamento, ao isolamento e a outros sinais de sofrimento.
“À família cabe uma responsabilidade enorme, mas ela não precisa carregar esta responsabilidade sozinha. Não é preciso ser psicólogo para salvar uma vida. É preciso estar atento, escutar, não julgar e saber quando pedir ajuda, porque, às vezes, a intervenção começa com uma conversa. Outras vezes, começa levando alguém ao hospital”, apelou.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada oito pessoas no mundo padece de algum transtorno mental. Na Huíla, apesar de não existirem números considerados alarmantes de casos de suicídio, as autoridades mostram-se apreensivas com o fenómeno, que tende a crescer, sobretudo, devido à precariedade das condições económicas de muitas famílias.
POR: João Katombela, na Huíla












