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OPAÍS

Cruz Vermelha Angola diz que Plano de Acção Humanitária responde aos desafios actuais

Jornal Opaispor Jornal Opais
30 de Outubro, 2024
Em Sociedade
Cruz Vermelha Angola diz que  Plano de Acção Humanitária responde aos desafios actuais

Os compromissos de Angola assumidos à luz do Direito Internacional Humanitário há mais de 40 anos, com o apoio da Sociedade Nacional da Cruz Vermelha e de parceiros privados, foram destacados, esta terçafeira, dia 29 de Outubro, na 34.ª Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Centro Internacional de Conferências (CICG), em Genebra, Suíça

A conferência, que decorre até 31 de Outubro, tem a embaixadora Margarida Izata a chefiar a delegação angolana que, ao intervir na plenária, lembrou que, logo após a Independência, aos 16 de Março de 1978, foi criada a Cruz Vermelha de Angola e, aos 10 de Agosto de 1982, esta teve um papel basilar na implementação do Plano de Acção Humanitária, ajustado, hoje, aos actuais desafios.

Segundo a Embaixadora, Angola tem implementado todos os instrumentos sobre o Direito Internacional Humanitário, e é parte das Convenções de Genebra e de outros instrumentos relacionados com a protecção das vítimas de conflitos armados, entre os quais as Convenções de Genebra de 12 de Agosto de 1949 e os seus Protocolos adicionais I e II.

“Reconhecemos a necessidade urgente de se criar no nosso país a Comissão Nacional para a implementação e divulgação do Direito Internacional Humanitário, após consultas internas com os sectores afins, e contará igualmente com o apoio de instituições humanitárias de carácter privado, como é o caso da Cruz Vermelha de Angola”, referiu.

Na ocasião, a diplomata informou que Angola esteve representada no 23.º seminário regional sobre a implementação do Direito Internacional Humanitário (DIH), realizado entre os dias 10 e 13 de Setembro, em Pretória, África do Sul, tendo sido reiterado que “está em curso o processo de criação e institucionalização do Comissão Nacional sobre o Direito Humanitário Internacional”.

Destacou igualmente os desafios humanitários vividos por Angola, com realce para a seca e as inundações no Sul do país, que têm merecido especial atenção do Executivo angolano.

“Foram aprovadas leis, visando a domesticação ou transformação dos princípios e normas do DIH no ordenamento jurídico interno, com realce para o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, como o principal órgão que garante o aviso, alerta, intervenção, apoio e socorro, em conjunto com outras instituições, cuja acção concorre para a implementação do DIH”, referiu.

Assegurou que Angola tem vindo a trabalhar no sentido de garantir que as estratégias, planos e programas nacionais sejam inclusivos para todas as comunidades, especialmente as mais vulneráveis a desastres, como grupos marginalizados, mulheres, crianças e pessoas com deficiência.

Esclareceu também que Angola reforçou a qualidade funcional dos serviços da acção social, com especial atenção para o nível comunitário, de modo que os grupos sensíveis sejam suficientemente conhecidos por via de um cadastramento periódico que, desse modo, facilita o conhecimento das pessoas e grupos vulneráveis aos desastres, sua mobilidade pelo território e os auxilia a identificarem o tipo de desastre a que os possa constituir, eventualmente, os principais alvos.

Mais empenho dos governos

A nível global, a diplomata considera ser imperativo que os governos se empenhem, mais efectivamente, na criação e adopção de estratégias para a mobilização de recursos financeiros, quer a nível doméstico quer internacional, com o objectivo de garantirem maior financiamento dos sectores público e privado para a redução de risco de desastres naturais, passíveis de causar danos humanitários imprevisíveis.

“A criação de mecanismos de monitorização inclusivos e de acção participativa das comunidades afectadas para a redução dos riscos, bem como programas que permitam encontros para a troca de experiências e partilha das boas práticas, são fundamentais”, disse.

Chefiada pela Embaixadora, Margarida Izata, Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas e de outras Organizações Internacionais, em Genebra, a delegação angolana ao evento integra a presidente da Cruz Vermelha de Angola, Delfina Cumandala, bem como delegados do MIREX, da Missão Permanente e da CVA.

A 34.ª Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho que decorre sob o tema “Navegar na incerteza – fortalecer a humanidade”, é um fórum único que reúne a maior rede humanitária do mundo e quase todos os governos, um evento importante no calendário humanitário e o principal fórum global para possibilitar e inspirar debates humanitários sobre o Direito Humanitário Internacional, cuja última sessão teve lugar em 2019, particularmente por motivos ligados a crise do Covid-19.

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