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João Kaveto: “Quero morrer narrando histórias baseadas na realidade que chega aos meus olhos”

Jorge Fernandes por Jorge Fernandes
11 de Setembro, 2024
Em Entrevista, Política

“No Banco, os valores de Ngunji à mesa dos Drongos” é o livro que o gestor e consultor de investimentos, João Kaveto, lança nos próximos dias em Luanda, depois de tê-lo já feito em São Paulo, Bahia e Pernambuco (Brasil). As vivências da sua profissão, resumidas em histórias próximas da realidade comum, são o pano de fundo de um livro que traz aprendizado para um termo que é muito usado entre nós, nos últimos tempos: “empreendedorismo”

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Começaria por perguntá-lo como é que funciona essa passagem do mundo da gestão e estratégia para a literatura. Já havia necessidade de falar de questões técnicas relacionadas com o que faz encorpadas com um livro-romance?

Bem, não se trata concretamente da passagem do mercado financeiro para a literatura, mas, sim, do mundo da gestão e estratégia para a literatura. Sou gestor de empresas, de formação e de profissão, e consultor de projectos de investimentos. Amo conceber, estrategicamente, planos administrativos e financeiros. Para além disso, sou apaixonado pelos desafios inerentes às necessidades voltadas à materialização de planos estratégicos e monitorização de todo o processo, face aos objectivos que determinam a sua concepção. Assim, ao longo dos vários anos de actividade profissional, tive a oportunidade de assessorar muitos empresários no processo de concepção e realização dos seus projectos de investimentos, num ambiente complexo e cheio de alegrias e tristezas, face à declaração de missão dos seus accionistas, se levados em consideração os seus valores, suas crenças, perante os programas de desenvolvimento macroestruturais da política económica.

Mas qual foi o interesse em enveredar para esse caminho?

Quanto mais interesse tinha pelo sentido dos mais variados extractos do tecido económico, mais observava os fenómenos políticos e sociais que, em certa medida, de- terminavam o perfil dos que melhor se destacavam num meio tão incerto. Assim, aliado ao gosto pela leitura, que foi determinado pela minha mãe, desde o dia que me ofereceu um livro de Física I, usado, comprado com o dinheiro da venda de uma das suas saias, em 1994, e a influência de umas das narrativas do Dr. Sérgio Raimundo, creio que foi em Novembro de 2010, que de forma romântica apelava à diminuição da pena de prisão dada a uma das suas constituintes que assassinara o marido, passei a amar a escrita e comecei a escrever de forma apaixonada sobre tudo que observo ou imagino. Foi assim que surgiu a minha passagem e conciliação das minhas actividades profissionais de gestor e consultor à literatura. Ngunji e seus irmãos Dona Lumbi e Ntoinho Jota são personagens que nos remetem a uma realidade que se identifica com muita gente. É notável que há, nesse livro, um cruzamento de histórias que parece ter vivenciado, mas o pano de fundo é meramente técnico.

Que mensagem é que pretende transmitir?

O livro é baseado na realidade de vários empreendedores e não só, por isso, quem lê o livro, mesmo nas primeiras páginas, pode rever-se na narrativa dos personagens, embora seja um livro deter- minado por factos técnicos. O que fiz foi encontrar histórias verídicas, inclusive a minha, para dar mais sentido a todo enredo – para sistematizar todo processo com base nas conclusões técnicas sobre aquilo que seria o livro original: “Como Encarar os Desafios do Empreendedorismo em Angola”, despertando, deste modo, o interesse de qualquer leitor.

Qual é o obejctivo da sua mensagem?

O objectivo da mensagem é ajudar os leitores a activarem gatilhos mentais que lhes permitam valorizar a existência de decisões que parecem simples, porém, afectam a vida de pessoas ao nosso redor e de instituições. Por isso, as nossas acções, por mais simples que sejam, devem concorrer para pintar um toque de alegria capaz de influenciar na realização dos sonhos justos de outrem; que se perceba que os sonhos justos são sempre realizados; que existência de um sonho não realizado pode esconder a necessidade da redefinição da missão deste mesmo sonho, e não para servir de factor de desistência. Quando assim procedermos, a sua realização, independentemente da magnitude, das adversidades, será um facto. Para tal, estar apaixonado pela vida é a condição fundamental para o surgimento de insights capazes de brotar em nós o sorriso mais útil no processo de florescimento da vida humana como um todo; que no final, por mais doloroso que seja uma caminhada, os bons sempre vencem.

Hoje, uma das palavras muito usadas é “empreendedorismo” ou “empreender”. Ao escrever este livro, havia sentido a necessidade de relacionar os momentos actuais com o que se passa nas histórias narradas?

Sim. Sou das pessoas que acredita que nada acontece por acaso. Tudo concorre para um bem maior, por mais que as nossas percepções individuais ou semi-colectivas signifiquem o contrário. As acções

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