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“O facto de aparecer alguém interessado com isso ou com aquilo não mexe connosco”

Jorge Fernandes por Jorge Fernandes
15 de Dezembro, 2023
Em Política

Após ter completado 67 anos de existência no último Sábado, 10, o MPLA, partido que sustenta o Executivo, reafirma que os seus membros estão unidos, coesos e mantém como foco o seu compromisso com o povo, continuando a defender os seus ideais

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Ao fazer um diagnóstico sobre a situação política, económica, social, assim como a vida interna do partido, o secretário para Informação dos ‘camaradas’ disse que não há qualquer preocupação ao nível da cúpula central do seu partido, em que haja intenções de candidaturas à presidência daquele órgão, desde que os interessados reúnam os critérios emanados nos estatutos.

Rui Falcão Pinto de Andrade, em relação à manifestação de realização de um congresso extraordinário, apresentada por um militante identificado como Cláudio Dias dos Santos, como já tendo apresentado à direcção do partido, disse que não teve acesso ao documento, mas nada o surpreende, porque é normal este cenário em democracia.

Acrescentou, igualmente, que o MPLA não está em eleições internas por enquanto, porém, se o militante que terá manifestado tal intenção quiser concorrer à direcção máxima, nada o impedirá desde que reúna os requisitos exigidos, mormente respeitando os estatutos da organização, o que não vê por isso qualquer problema. “Venha ele e venham muitos mais se for o caso.

Portanto, não temos essa preocupação, não deixamos de dormir por causa disso. É apenas mais uma manifestação de vontade”, adiantou, realçando que, apesar dessa pretensa intenção, não significa que hajam correntes contrárias ao partido.

“A vontade individual não pode ser transportada para o colectivo dessa forma. Posso pensar de maneira diferente dos membros do Bureau Político, ter a minha opinião pessoal. Significa isso que esteja fora do quadro da opinião geral do BP, não.

É a minha opinião circunstancial. Se isso depois terá algum impacto, logo veremos”. Outrossim, fundamentou: “o MPLA é esse partido democrático, o facto de aparecer alguém interessado com isso ou com aquilo não mexe connosco.

Que cumpra as regras, que traga ideias, programas, nós estamos aqui como militantes e em consciência decidir cada um individualmente.

Aqueles que forem delegados ao congresso terão a responsabilidade de discernir aquele que em seu entender seja o melhor, ponto final”, rematou.

Dificuldades

Rui Falcão Pinto de Andrade, que falava aos jornalistas numa conferência de imprensa realizada, recentemente, na sede do partido, em Luanda, referiu que o seu partido está convicto do momento que o país atravessa e descreve como sendo mais um período de crise à semelhança do ocorrera noutras ocasiões.

“Se há um ano falávamos da dificuldade da Covid-19, hoje estamos a falar da guerra da Ucrânia, do Meio Oriente com impacto directo na economia e no desenvolvimento dos países, nós não somos uma galáxia diferente”, exemplificou o político.

Dadas as circunstâncias, o porta-voz do MPLA esclarece, de igual modo, que a conjuntura internacional engaja também o país, sendo por isso necessário ser-se suficientemente ágeis para que neste oceano de problemas encontrem-se soluções para o bem-estar do povo.

“É isso que nos anima no dia-adia e nos faz acreditar que todos juntos podemos fazer uma Angola melhor. Portanto, são esses desafios que o MPLA tem.

Nós já estamos rotinados a enfrentar situações difíceis, estamos num momento delicado, mas vamos encontrar soluções”, disse. Ainda relativamente à situação sócio-económica do país, Rui Falcão disse que o seu partido encara-a com preocupação, sendo certo que o seu compromisso é com o povo que têm de honrar, embora reconheça que nem todas as intenções sejam exequíveis, mas o fundamental é sair desse quadro com prioridades objectivas.

“Estamos a ver nesse rol de dificuldades quais são as prioridades objectivas que temos de abraçar e, com poucos recursos disponíveis, ver quais são as necessidades básicas da população. Portanto, é este o trabalho que estamos a fazer”, apontou Rui Falcão.

Desgaste da imagem do partido

Questionado sobre o facto de o MPLA estar a ser descrito como uma formação desgastada e sem soluções para o país, Rui Falcão foi directo em responder que a cúpula do partido anda habituada a ouvir esse tipo de “provocações”, todavia, comentários como esses os fortalece. “Ainda bem que há essa retórica de alguns.

Porque foi assim que perderam em 1992, 2008, 2012, 2017, 2022 e vão perder em 2027. Porque nós em cada ciclo de crise saímos mais fortalecidos.

Portanto, estamos aqui na trincheira a trabalhar todos os dias e com a convicção de que o país tem rumo”, referenciou sem citar de quem se tratava.

O também deputado do MPLA, face ao momento actual, recenheceu não ser fácil para ninguém governar nas circunstâncias em que se está a viver.

Por essa razão, todos os dias têm de lutar de modo a se encontrarem soluções para a resolução dos problemas das pessoas e ninguém lhes vai mudar o foco.

Partido unido e coeso

Por outro lado, esclareceu que o MPLA é um partido unido, democrático em que as pessoas têm a liberdade de terem opiniões diferentes.

E com isso, adianta já estarem habituados a conviver com esse quadro. Daí que só admira a quem não esteja habituado a viver em democracia, mas, salienta, internamente sabem o que a casa gasta e não há nenhum laivo de falta de unidade ou de coesão no partido.

Autarquias

Quanto à institucionalização das autarquias, um compromisso do seu partido assumido aquando da última campanha eleitoral, referenciou que elas vão ocorrer quando haver condições de estabilidade demográfica assim como da divisão administrativa plena, sendo que a mesma está condicionada a todo um percurso que tem de ser feito. “Estamos a analisar a divisão administrativa do país.

Dentro de dias vão surgir outras unidades orgânicas ao nível do aparelho do Estado. Logo a seguir tem de haver o corpo legislativo necessário para a execução dessas autárquicas que tem por base essa divisão administrativa.

Enquanto esses pormenores não estiverem equacionados, enquanto o Parlamento não aprovar as leis, ainda há um caminho por percorrer”, justificou.

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