Perscrutar o mandato do preidente João Lourenço n a presidência rotativa da União Africana é exercício que reclama rigor analítico.
Por se tratar de um período ainda recente e, sobretudo, porque a própria natureza do cargo impõe limites objectivos ao exercício formal do poder, uma vez que a arquitectura institucional da União Africana reserva a execução às instâncias permanentes, como a Comissão, o Conselho Executivo e a Conferência dos Chefes de Estado e de Governo, e submete as grandes orientações ao consenso político. Neste quadro, o Presidente da União Africana é, antes de tudo, um rosto.
Em política internacional, o rosto é frequentemente o veículo do poder, não o poder jurídico, mas o poder relacional; não a autoridade normati- va, mas a capacidade de influenciar agendas, aproximar posições e imprimir direcção. É um exercício que se aproxima do que a teoria das Relações Internacionais descreve como soft power, na esteira conceptual de Kenneth Waltz e de outros realistas estruturais.
POR: Edmundo Gunza
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