Num momento em que Angola está a expandir a sua integração económica regional e a desenvolver sectores estratégicos com elevado potencial de transformação, a UNODC considera relevante a criação de mecanismos sólidos de prevenção e de detecção de práticas ilícitas
A Agência das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), em cooperação com o Comité de Gestão Coordenada das Fronteiras (CGCF), a Administração Geral Tributária (AGT), o SIC e o Tribunal Supremo, e com o apoio da Embaixada do Japão em Angola, realizou, ontem em Luanda, um workshop dedicado ao combate ao crime financeiro e à validação do estudo sobre vulnerabilidades, ameaças e tendências em Angola.
Para a coordenadora do Escritório das Nações Unidae sobre Drogas e Crime, Manuela Carneiro, numa era em que a informação e os estudos são predominantes, um estudo bem feito não é apenas um documento, é uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, na medida em que permite identificar padrões, fragilidades e oferece uma base sólida para planear intervenções que respondam a riscos reais e não apenas a percepções.
Diferente das outras actividades que a ONU DC e a AGT têm estado a realizar, este workshop, segundo a responsável da UNODC, enquadra-se no âmbito do projecto “Promovendo um Ambiente Empresarial Responsável e Sustentável e Incentivando a Boa Governação e a Facilitação do Comércio através do combate e prevenção dos fluxos financeiros ilícitos e dos crimes fiscais em Angola”, financiado pelo Japão.
“Quando analisamos o crime financeiro num país com a dimensão e o posicionamento estratégico de Angola, percebemos que não se trata apenas de um risco interno, trata-se de um risco que acompanha o crescimento económico, a modernização de sectores-chave e o aumento das ligações regionais”, disse.
Sublinhou que, no contexto angolano, esta análise torna-se particularmente relevante num momento em que o país está a expandir a sua integração económica regional e a desenvolver sectores estratégicos com elevado potencial de transformação, como o Corredor do Lobito.
Avançou que a intensificação das ligações comerciais, logísticas e financeiras traz oportunidades significativas, mas exige também uma compreensão clara dos riscos associados. “Corredores económicos desta dimensão tendem a atrair maior circulação de capitais, de mercadorias e de agentes económicos, aumentando a necessidade de mecanismos sólidos de prevenção e de detecção de práticas ilícitas”, frisou.
O presente estudo, para a responsável, tem como objectivo fornecer às instituições uma base técnica que permita antecipar riscos, ajustar procedimentos e reforçar a coordenação necessária para garantir que o crescimento económico e a expansão das infra-estruturas de transporte decorrem num ambiente seguro e íntegro. O estudo vai ainda permitir que as instituições trabalhem com informação clara, actual e orientada para a acção.








