Onésimo Lufuankenda
Angola pretende transformar a cooperação com a Sérvia numa oportunidade para desenvolver a produção local de medicamentos e outros produtos essenciais de saúde, através da criação de parcerias e da atracção de investimentos para o sector farmacêutico.
A intenção consta da proposta de Memorando de Entendimento apresentada nesta segunda-feira, 17 de Agosto, pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, ao seu homólogo sérvio, Zlatibor Lončar, durante a missão de trabalho que a governante realiza em Belgrado.
Entre os pontos considerados estratégicos no documento está a promoção de investimentos e parcerias para a instalação e funcionamento de unidades industriais destinadas à produção local de medicamentos, implantes médicos, dispositivos médicos e produtos farmacêuticos especializados, incluindo medicamentos oncológicos.
A iniciativa representa uma aposta na criação de capacidades produtivas dentro do país, procurando reduzir a dependência externa e reforçar a capacidade de resposta do sistema de saúde angolano. O documento, no entanto, encontra-se ainda em fase de negociação entre as partes.
A proposta prevê igualmente a aproximação entre instituições públicas, autoridades reguladoras, centros de investigação e a indústria farmacêutica dos dois países, com o objectivo de facilitar a transferência de conhecimento e tecnologia.
Neste domínio, a cooperação deverá abranger a regulamentação, o registo e o controlo de qualidade de medicamentos e dispositivos médicos, bem como a farmacovigilância e a tecnovigilância.
A investigação científica surge igualmente como uma das componentes da nova agenda, com referências à medicina molecular, medicina de precisão, biotecnologia, investigação clínica e biomédica e inovação tecnológica.
Para Angola, a intenção é fazer com que a cooperação internacional resulte em capacidade concreta dentro do país, não apenas através da formação de profissionais, mas também pela produção de conhecimento, incorporação de tecnologia e desenvolvimento de infra-estruturas e competências nacionais.
A proposta de Memorando prevê ainda a formação, especialização e actualização técnico-científica de médicos, farmacêuticos, enfermeiros, investigadores e outros profissionais de saúde.
A componente de formação ganha particular relevância no âmbito do Plano de Desenvolvimento de Recursos Humanos em Saúde, que prevê a formação de 38 mil profissionais em áreas consideradas prioritárias.
Financiado pelo Banco Mundial e com duração de cinco anos, o programa contempla 3.000 médicos especialistas, 9.000 enfermeiros licenciados, 9.000 técnicos de diagnóstico e terapêutica, 9.000 técnicos de enfermagem, 4.000 técnicos do regime geral e 4.000 profissionais de apoio hospitalar.
A aproximação às instituições sérvias poderá reforçar as oportunidades de especialização, intercâmbio de especialistas e transferência de conhecimento, sobretudo em áreas de elevada complexidade médica.
Durante a missão em Belgrado, a delegação angolana visitou igualmente o University Clinical Center of Serbia, onde conheceu diferentes valências clínicas, equipamentos e modelos de organização hospitalar.
A instituição apresentou áreas como neurologia, neurocirurgia, cirurgia minimamente invasiva, cardiologia, gastroenterologia, oncologia, imagiologia, diagnóstico especializado e emergência médica e cirúrgica.
A visita permitiu também observar serviços de oncologia e quimioterapia, além de sectores ligados ao diagnóstico por imagem, urgência, trauma e atendimento médico e cirúrgico de emergência.





