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Angola pode estar a servir de canal para financiar grupos de terroristas

Paulo Sérgio por Paulo Sérgio
16 de Janeiro, 2026
Em Política

Apesar de não enfrentar uma ameaça terrorista interna de natureza sistémica, Angola encontra-se exposta a riscos relevantes de financiamento do terrorismo, sobretudo associados a redes externas e transnacionais que exploram fragilidades do sistema económico e financeiro nacional

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A revelação é feita pela Unidade de Informação Financeira (UIF) no relatório síntese da Avaliação Nacional de Risco de Financiamento do Terrorismo de 2025 (ANR/FT 2025), produzido em parceria com o Banco Mundial, que alerta para exploração de sectores estratégicos da economia por redes terroristas estrangeiras e reforça necessidade de maior vigilância financeira.

Essa situação ocorre numa altura em que o país encontra-se exposto a um nível médio de risco de financiamento do terrorismo, resultado directo de vulnerabilidades estruturais da economia, sobretudo na circulação de capitais, no comércio externo e na persistência da informalidade financeira. Os pesquisadores explicam como a informalidade, fluxos financeiros opacos e os sectores de elevado volume comercial colocam desafios à estabilidade económica e à credibilidade financeira do país, no actual contexto internacional.

Por essa razão, mais do que um alerta de segurança, espera-se que este relatório, que contou com a colaboração de peritos de diversos órgãos do Estado, funcione como um diagnóstico económicofinanceiro, ao evidenciar como determinados sectores e práticas económicas podem ser explorados por redes transnacionais para a movimentação de fundos ilícitos.

Segundo o estudo, essas acções colocam o nosso país não como palco de actuação violenta, mas como território de intermediação económica, integrado em cadeias comerciais e financeiras globais cada vez mais complexas, já que a economia nacional está fortemente dependente do comércio externo e da circulação de capitais.

Apesar de o território nacional não ser visto como base operacional directa de organizações terroristas, é considerado como espaço de circulação financeira, comercial e logística, aproveitado por grupos activos noutras jurisdições.

O relatório, a que o jornal OPAÍS teve acesso, identifica transferências internacionais via offshores, empresas legais e esquemas de branqueamento baseados no comércio internacional (designado em inglês por Trade-Based Money Laundering – TBML) como alguns dos principais canais de financiamento ilícito.

Mecanismos estes que, conforme atestam os pesquisadores, têm impacto directo na balança comercial e na balança de pagamentos, ao distorcer valores de importação e exportação, facilitar a fuga de capitais e reduzir a eficácia dos instrumentos de política económica.

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