Apesar de não enfrentar uma ameaça terrorista interna de natureza sistémica, Angola encontra-se exposta a riscos relevantes de financiamento do terrorismo, sobretudo associados a redes externas e transnacionais que exploram fragilidades do sistema económico e financeiro nacional
A revelação é feita pela Unidade de Informação Financeira (UIF) no relatório síntese da Avaliação Nacional de Risco de Financiamento do Terrorismo de 2025 (ANR/FT 2025), produzido em parceria com o Banco Mundial, que alerta para exploração de sectores estratégicos da economia por redes terroristas estrangeiras e reforça necessidade de maior vigilância financeira.
Essa situação ocorre numa altura em que o país encontra-se exposto a um nível médio de risco de financiamento do terrorismo, resultado directo de vulnerabilidades estruturais da economia, sobretudo na circulação de capitais, no comércio externo e na persistência da informalidade financeira. Os pesquisadores explicam como a informalidade, fluxos financeiros opacos e os sectores de elevado volume comercial colocam desafios à estabilidade económica e à credibilidade financeira do país, no actual contexto internacional.
Por essa razão, mais do que um alerta de segurança, espera-se que este relatório, que contou com a colaboração de peritos de diversos órgãos do Estado, funcione como um diagnóstico económicofinanceiro, ao evidenciar como determinados sectores e práticas económicas podem ser explorados por redes transnacionais para a movimentação de fundos ilícitos.
Segundo o estudo, essas acções colocam o nosso país não como palco de actuação violenta, mas como território de intermediação económica, integrado em cadeias comerciais e financeiras globais cada vez mais complexas, já que a economia nacional está fortemente dependente do comércio externo e da circulação de capitais.
Apesar de o território nacional não ser visto como base operacional directa de organizações terroristas, é considerado como espaço de circulação financeira, comercial e logística, aproveitado por grupos activos noutras jurisdições.
O relatório, a que o jornal OPAÍS teve acesso, identifica transferências internacionais via offshores, empresas legais e esquemas de branqueamento baseados no comércio internacional (designado em inglês por Trade-Based Money Laundering – TBML) como alguns dos principais canais de financiamento ilícito.
Mecanismos estes que, conforme atestam os pesquisadores, têm impacto directo na balança comercial e na balança de pagamentos, ao distorcer valores de importação e exportação, facilitar a fuga de capitais e reduzir a eficácia dos instrumentos de política económica.









