O Executivo angolano reafirmou, nesta quarta-feira, 20, o compromisso com o fortalecimento da soberania sanitária e com a construção de um sistema nacional de saúde mais autónomo e sustentável, durante um encontro de alto nível realizado na sede do Fundo Global, à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra.
Durante as discussões, o Fundo Global reconheceu avanços considerados significativos por parte de Angola. Entre os indicadores apresentados destacam-se a redução estimada entre 40% e 50% das novas infecções por VIH, a diminuição das mortes associadas à doença e uma queda de cerca de 30% nas notificações de tuberculose. Também foram destacados os progressos no controlo da malária, sustentados por campanhas de distribuição massiva de redes mosquiteiras e pelo reforço das acções comunitárias.
Um dos principais temas abordados foi a sustentabilidade financeira dos programas de saúde e a transição gradual para uma maior gestão nacional no âmbito do próximo ciclo de financiamento GC8.
Na ocasião, Sílvia Lutucuta defendeu a necessidade de reduzir a dependência externa, aumentar o cofinanciamento nacional e integrar progressivamente os programas financiados por parceiros internacionais nas estruturas do Estado.
Apesar da redução global de recursos disponíveis para a saúde internacional, o Fundo Global confirmou a continuidade do financiamento a Angola, incluindo verbas catalíticas adicionais, reiterando o compromisso de cooperação com o país.
A reunião abordou ainda a modernização dos sistemas de saúde, com destaque para a digitalização da informação sanitária, melhoria da recolha de dados em tempo real e integração das plataformas nacionais de monitorização.
Questões ligadas à cadeia de abastecimento de medicamentos, logística hospitalar e transporte de amostras laboratoriais também estiveram em análise. O modelo de gestão logística implementado em algumas províncias angolanas foi apontado como referência positiva para futura expansão a nível nacional.
No plano programático, foram igualmente discutidos os investimentos na produção local de redes mosquiteiras tratadas, o reforço da capacidade laboratorial e a ampliação da cobertura dos serviços comunitários de saúde.
Outro ponto destacado foi o investimento em sistemas de produção e fornecimento de oxigénio hospitalar, considerado estratégico após as lições deixadas pela pandemia da COVID-19 e pela necessidade de reforçar a capacidade de resposta a futuras emergências sanitárias.
O Fundo Global reforçou ainda a importância da boa governação, transparência e prestação de contas na gestão dos financiamentos, enquanto Angola reiterou o compromisso com a disciplina financeira e o cumprimento das metas de co-financiamento.
A delegação angolana foi liderada pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, acompanhada pela directora nacional de Saúde Pública, Helga Freitas, pela consultora do Gabinete Ministerial, Diozandra Guimarães, pelo coordenador da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), Job Monteiro, e pelo neurocirurgião Djamel Kitumba, além de especialistas do Ministério da Saúde e técnicos do projecto.
O encontro reuniu representantes do Fundo Global e equipas técnicas ligadas aos programas internacionais de saúde pública, com foco na avaliação dos progressos alcançados por Angola no combate ao VIH/SIDA, tuberculose e malária, bem como no reforço dos sistemas nacionais de saúde.









