A adopção crescente de veículos eléctricos (VEs) em Angola, impulsionada pela montagem local na Opaia Motors, representa um marco na diversificação económica, mas impõe desafios profundos à rede da ENDE e às estradas nacionais, com impactos directos no PIB projectado de 2,9% para 2026.
Com capacidade para 22 mil unidades anuais, incluindo eléctricos, essa transição pode poupar bilhões em importações de combustíveis, similar aos USD 1,1 bilhão da Refinaria de Cabinda – ao reduzir dependência petrolífera e fomentar cadeias industriais locais. No entanto, sem investimentos paralelos, a sobrecarga energética e o desgaste viário corroerão ganhos, ampliando desigualdades regionais e freando o crescimento não petrolífero.
Pressões na rede energética
A rede angolana, com 9,9 GW instalados (66% hídricos), já regista perdas de 20-30% e apagões frequentes, agravados por picos urbanos. Projetando 10 mil VEs em 2026 (consumo de 200- 500 GWh/ano, ou 1-2% da produção total), Luanda enfrentaria +300-500 MW em horários noturnos, elevando déficits em secas para 1 GW e custando 0,5-1% do PIB em perdas produtivas.
Economicamente, isso ameaça a meta de diversificação: energia instável paralisa indústrias emergentes, enquanto privatizações previstas para 2026 (com privados na comercialização) abrem portas para eficiência, mas demandam regulação urgente.
De oportunidade à ameaça
Essa precariedade não é acidente: malha de 75.000 km com 45% em estado crítico sabota diversificação, onde VEs poderiam adicionar 0,5% PIB via empregos (5 mil) e poupança de divisas, mas em estradas esburacadas, viram luxo para elites urbanas, ampliando desigualdades (Huambo/Benguela lideram acidentes).
Chuvas expõem o défice: ravinas isolam 14 províncias, custando bilhões em fome/comércio perdido, enquanto VEs agravam ao demandar pavimentos lisos para eficiência.Resultado?Economia freia:logística cara(+25%custos)paralisa agro/indústria,reduz indo FDI e elevando dívida pública.
POR: DIOGENES LENGA









