Há um hábito muito estranho que é ao mesmo tempo esquisito demais que insiste em resistir entre nós. Não podemos ter em Angola homens mais fortes que as instituições. Dito de outra forma. Há gestos que parecem pequenos, quase insignificantes, mas que dizem muito sobre quem somos enquanto cidadãos e sobre o país que queremos construir.
Vandalizar, destruir ou subtrair torres da linha de electricidade de alta tensão, furtar tampas das sarjetas e de caixas de válvulas, contadores de água e respectivas estrutura, partir os vidros dos autocarros, danificar um hospital não é apenas um ato de descuido — é um golpe directo no futuro colectivo de Angola. É preciso dizer com clareza: vandalizar o património público não é sinal de coragem, protesto ou rebeldia consciente.
É, muitas vezes, resultado de frustração mal direccionada, falta de consciência cívica ou simples indiferença pelo bem comum. Os bens públicos não pertencem a um governo, a uma instituição ou a uma entidade abstracta chamada “Estado”.
Pertencem a todos nós: ao estudante que precisa de uma escola digna, à mãe que aguarda transporte numa paragem segura, ao trabalhador que depende de ruas iluminadas, ao doente que precisa de um hospital funcional.
Quando um bem público é vandalizado, todos pagamos a conta — em conforto, em segurança, em dignidade e em desenvolvimento. Há uma verdade que dói, mas precisa ser dita: o dinheiro para reparar o que é vandalizado não cai do céu. Sai do bolso de todos nós. Sai da escola que não foi construída, do posto médico que ficou no papel, da estrada que continua esburacada. Vandalizar é adiar o futuro de Angola… e ainda pedir troco.
O vandalismo atrasa, encarece e desumaniza a vida urbana e comunitária
Cuidar do bem público é sinal de maturidade, não de fraqueza. É dizer: “Eu respeito o meu país”. A mudança começa em cada um de nós: na forma como usamos, protegemos e denunciamos actos de vandalismo. Começa na educação cívica em casa, na escola, nas igrejas, nas associações juvenis e nos bairros.
Começa quando deixamos de achar “normal” aquilo que claramente está errado. O bem público não é problema do Estado apenas; é responsabilidade de cada cidadão que pisa esta terra com orgulho. Vamos mudar o roteiro.
Chega de vandalismo disfarçado de normalidade. Chega de destruir hoje e reclamar amanhã. Embora tenha celebrado no ano passado 50 anos de Independência, Angola ainda é um país jovem, cheio de energia, criatividade e sonhos. Mas nenhum país avança quando os seus próprios filhos sabotam as bases do seu progresso.
Angola precisa de construtores, não de destruidores. Precisa de cidadãos conscientes, não de espectadores indiferentes. Precisa de jovens que protegem, de adultos que dão exemplo, de comunidades que vigiam e cuidam.
Preservar o bem público é preservar a nossa própria dignidade e garantir que as próximas gerações herdem um país melhor do que aquele que recebemos. Defender os bens públicos é um acto de patriotismo silencioso, mas poderoso.
É respeitar o trabalho de quem construiu, o dinheiro de quem contribuiu e o direito de quem precisa. Quem cuida, constrói. Quem vandaliza, atrasa. Angola merece cuidado, respeito e amor prático. Um país só cresce quando o seu povo aprende a proteger, e não a destruir, o seu próprio futuro.
Por: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS
Tão simples quanto isso!









