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OPAÍS

Um Pequeno Conto de Horror

Jornal Opaispor Jornal Opais
6 de Janeiro, 2018
Em Opinião

Fefinha vivia na Samba e trabalhava como empregada doméstica em Talatona, zona de condomínios luxuosos e pessoas endinheiradas, sendo que nem sempre dinheiro é sinónimo de educação e respeito… Todas as manhãs, saía assim que o sol raiava e dirigia-se ao seu local de trabalho apanhando dois candongueiros e um cupapata que por sorte dirigia-se em sentido contrário ao trânsito e não “pegava” o engarrafamento de todos os que viviam distante e por isso acordavam ainda mais cedo que ela, para poderem arranjar um local para estacionar e dormir até chegar a hora de inicio da labuta.

POR: Kâmia Madeira

Menos afortunadas eram duas cunhadas que viviam no Kilamba, mas como trabalhavam em Ministérios, uma ia para o trabalho com o transporte colectivo do serviço e a outra conduzia até ao embarcadouro e apanhava um catamarã que a deixava em plena baixa. A sua casa na Samba, ficava próximo ao famoso mercado da Mabunda, local para a compra de pescado e que durante a semana tinha as suas vantagens, mas que pela procura ao fim-de-semana ficava intransitável, tal a afluência dos consumidores e que levava as comerciantes a triplicar o preço do peixe… Felizmente fora construído um sitio mais condigno para a venda, embora “desconseguiram” de resolver o problema do lixo.

Num final de tarde, de regresso à casa encontra a sua filha mais nova, banhada de febre, e sem dinheiro para a medicação, tenta uma medida que a sua mãe lhe ensinara: aquele banho de água fria, que as vizinhas explicaram que ajudava a baixar a febre. Porém, no dia seguinte, a criança continuava incomodada, e depois de falar com o marido, resolveram levá-la ao posto médico, onde lhes é explicado que não tinham reagentes para os testes. Fazendo recurso às parcas suas reservas, e sabendo que em clínicas privadas nada falta, dirigem-se a uma, onde a malária é diagnosticada.

Tudo o sdeu dinheiro foi gasto nas análises, e por isso decidem transferi- la ao Hospital da sua zona de residência. Estando lá, descobrem que o internamento não é pago, porém alguma medicação deve ser comprada pois o hospital não a tem…. Como mosquiteiros tratados, pois quando acomodam a pequena, a televisão também lá esteve e Fefinha ouve uma das responsáveis do hospital dizer que os pacientes tinham que levar os mosquiteiros pois mesmo com a fumigação o local estava infestado de mosquitos, por culpa do lixo circundante…. Um Horror! Mais tarde ao cair da noite, Fefinha lembrou-se que não tinha informado o seu patrão do motivo da sua ausência no serviço, e que isso representaria um desconto no seu já parco salário, mas contou com a sua compreensão, uma vez que o doutor era um dos membros da comitiva que pela manhã desse dia visitara o hospital….

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