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Sustentabilidade – Pacto com Impacto: perspectiva sociocultural

Jornal Opaispor Jornal Opais
30 de Setembro, 2024
Em Opinião
Sustentabilidade – Pacto  com Impacto: perspectiva  sociocultural

A prior, importa situacionar que a nossa tese se funda à luz das lentes construtivistas sob égide sociocultural. Outrossim, de caráter imperativo, a presente abordagem que se postula pacto com impacto resulta do workshop sobre o ambiente realizado pelo Standard Bank, no dia 23 de setembro, em Luanda, de 2024, que, numa interpretação semântica, esteve voltado aos jornalistas e aos colunistas que se dedicam à pesquisa e à escrita de temas relacionados ao desenvolvimento sustentável.

Ademais, a noção semântica sobre sustentabilidade, a ser abordada, por nós, sustenta-se a partir da extensão acumulativa em que se alistam: o vector cultural, o vector ambiental, o vector social, o vector político e o vector ético. Constituem em si o escopo do tecido da nossa argumentação. Por exemplo, deparamo-nos sempre com a concepção de pessoas, de comunidades, de prosperidade e de crescimento sustentável.

Assim sendo, tomamos a iniciativa de aludir à luz da retórica apelativa, sobre as palavras ou frases ora exemplificada, o que são pessoas? O que são comunidades? O que é prosperidade e o que é crescimento sustentável à luz da realidade angolana? Entendemos que se impera a necessidade de um novo olhar, de uma nova abordagem, de uma nova interpretação, de um novo pragmatismo e, sobretudo, de uma nova funcionalidade contextual e sua operacionalização sobre a sustentabilidade para que corresponda os desígnios do futuro humanidade.

A sustentabilidade estrutura-se como parte constitutiva para a construção contínua da humanidade. Daí que, precisamos de reconstruir a narrativa que se subjaz sobre o social pela forma como a ONU perfila o debate sobre o desenvolvimento  sustentável.

Nesta senda, o pacto, por exemplo, em erradicar a pobreza extrema, as desigualdades sociais, promoção dos direitos humanos, a problemática do desmatamento e a poluição industrializada, devem gerar impacto na vida das comunidades por via da responsabilidade conjuntural e estrutural sem que se ponha em causa o futuro que se faz presente.

Portanto, analisar o desenvolvimento sustentável como se todos os países enfrentassem os mesmos problemas é promover ainda mais as desigualdades, é intensificar os fossos de pobreza extrema é, sobretudo, legitimar o sofismo político. Entendemos que na perspectiva da geopolítica, da cultura organizacional, da vontade funcional, da história e do valor semântico que se atribui ao futuro, necessidades e prioridades, que os vectores mencionados dialogam entre si para efectiva materialização da sustentabilidade.

Pois, a política como ferramenta organizacional de resolução permite a legislação, a criação de normativos que impulsionam as instituições, neste caso, a banca, a terem maior atenção à sustentabilidade. E conforme o método de observação, e a partir das fontes orais, sabemos que as mudanças sociais ou das sociedades dependem, fundamentalmente, da mecanização do poder económico.

Por ora, acreditamos, piamente, que o vector económico é o mecanismo que viabiliza as acções. Todavia, é necessário que se imprima a ética da alteridade, isto é, o espírito da transferência de sentido e da racionalidade, no sentido que a gula lucrativa não estrangule o bem-estar e nem coloque em causa a continuidade da humanidade.

Assim, entendemos que a perspectiva monolítica que se tem sobre sustentabilidade precisa transitar para holística no sentido de fomentarmos a cultura do pacto com o impacto em prol do desenvolvimento sustentável como modo de vida das sociedades, tendo em conta a premissa que o futuro se constrói no presente.

Logo, as acções do presente precisam estabelecer pontes dialécticas entre o ideal e o real no intuito de buscarmos o equilíbrio entre o que a natureza nos oferece e a nossa capacidade de salvaguardarmos o futuro por meio da natureza.

Na perspectiva da psicolinguística, lembra-nos Lyons que “determinadas línguas estão associadas a determinadas culturas” (1987, p.:293). Portanto, implica que o postulado evocado para o ideal de sustentabilidade deve aterse à pluralidade cultural das comunidades bem como o seu imaginário.

Nesta perspectiva, não se pode ignorar determinados aspectos socioculturais e antropológicos quando se projecta o desenvolvimento sustentável. Em síntese retórica, o que é desenvolvimento sustentável no e para o tecido angolano? O que é cultura ambiental no contexto de disfuncionalidade social?

POR:HAMILTON ARTES

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