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Substâncias do pensamento político africano

Jornal Opaispor Jornal Opais
15 de Janeiro, 2025
Em Opinião

O pensamento parece ser, dos substratos ontológicos do ser humano, aquele que constrói e determina o seu comporta mento a sua acção.

O pensamento produz distintas categorias e sistemas de explicação dos fenômenos e da realidade. Um destes sistemas é o pensamento político do qual resultam as diferentes for mas de organização social, base adas na ideia do bem e do mal.

A crença na ideia do bem e do mal tem determinado o curso da humanidade, tendo várias formas de expressão ao longo da história, uma delas foi a colonização, que teve como pressuposto a categorização do ser humano, fundamentada na ideia da raça cuja coloração determinava a sua superioridade ou inferioridade.

Essa percepção, originária da cultura e do pensamento político ocidental, afectou dura e violenta mente o continente africano, negando aos africanos a faculdade do pensamento e, consequentemente, do pensamento político.

Esta realidade, imposta pela violência aos africanos, tornou hegemónico o ocidentalismo dentro do continente africano, tornando-o refém e, quando não, vulnerável à influência externa.

No entanto, a consciência do estado reduzido ao qual foi relegado impeliu os africanos a lutarem pela liberdade, liberdade de pensar e de agir, construindo, deste modo, o seu próprio com portamento e acção dentro do seu espaço geográfico.

O pensamento político africano nasce da necessidade de liberdade. Foi assertivo na identificação da necessidade imediata, a liberdade como o primeiro passo para pensar e gerir África a partir de África e por africanos.

Porém, não previu suficientemente a disseminação e impacto do ocidentalismo que se tinha enraizado, de terminando, em todas as esferas, o pensamento do homem africano; ou terá sido insuficiente na identificação dos meios para a desconstrução do ocidentalismo e implantação de um pensamento político puramente africano.

A tentativa de resgate do pensamento e da forma de organização social pré-colonial, fundamentada na idiossincrasia cultural africana, também se mostrou inglória, num cenário mundial marcado pela revolução industrial e desenvolvimento tecnológico, para os quais a África, apesar de ter ilimitados recursos naturais, matéria-prima para a indústria e tecnologia, não tem tido força para impor-se e dialogar com o mundo externo de forma horizontal.

Por essa razão, a organização política dos estados modernos de África fundou-se todas nas ideias e ideais ocidentais, herança colonial.

Estaremos a admitir consequências boas da colonização, ou a manifestar a incapacidade de lutar contra a frenética acidentalização da humanidade? Que contributo tem África a dar para a humanidade? Primeiro, é preciso admitir e reconhecer a heterogeneidade do pensamento africano, cujos povos, partilhando a mesma circunscrição geográfica, constituíram várias formas de ser e estar, baseadas na cultura.

Segundo, diante desta diversidade, o ocidentalismo triunfou, gerando um elo de unidade e, simultaneamente, de inculturaçãodos povos.

Terceiro, o ideal de liberdade, inaugurado com o emergir dos nacionalismos, ainda continua a ecoar entre os africanos e a apelar para a valorização da sua cultura originária.

Quarto, o curso da evolução da humanidade apela, hoje, para a consciência da cidadania global, marcada pelo desenvolvimento tecnológico, onde os saberes locais e particulares confluem dentro de uma plataforma que concorre para o bem da humanidade.

Diante destes postulados, acre ditamos que o pensamento político africano, em meio a esta heterogeneidade e conflitos ideológicos, pode contribuir, com os seus diversos prismas de análise de África e do africano para a identificação de um modelo político de organização social, trabalho, produção, educação e gestão que, não sendo reducionista, preconceituoso, nem desvalorizando os saberes locais e originaria mente africanos, concorra para a compreensão, participação e realização plena de África e dos africanos, em todas as esferas, essencialmente as esferas económica, política e social.

 

Por: ESTEVÃO CHILALA CASSOMA

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