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Relevância do reforço da parceria estratégica entre a República Popular da China e o continente africano

Jornal OPaís por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026
Em Opinião

“Uma observação sintetizada na Cooperação win-win tendo em conta a visita estratégica do Ministro das Relações Exteriores da China em África-2026

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1. Introdução Vivemos, hoje, num mundo de crises ambientais, políticas, económicas, sociais, energéticas e outras, que estão na origem de convulsões sociais e conflitos armados de consequências ainda por avaliar, onde a questão do dilema da segurança é o nosso ponto de análise. Ao mesmo tempo, assistimos várias controvérsias sociais, seguidas de conflitos armados internos que, nalguns casos, se transformam em conflitos internacionais, como acontece agora no mundo árabe. Por um lado, as eleições que se mostram democráticas e pacíficas degeneram em conflitos pós-eleitorais.

Por outro lado, o tráfico internacional de armas tem como destino privilegiado os rebeldes ou os autores não estatais em África e na Ásia. Tudo isto tem provocado um número elevado de mortes de civis indefesos, genocídios, êxodos populacionais, pobreza extrema, sentimentos sociais de revolta e vingança, destruição de infra-estruturas e da economia. Portanto, estes elementos remetem-nos a um sistema de policrises.

O século XXI, segundo Adam Gordon (2016) e Heitor Barras Romana (2018), é marcado pelo acrónimo TUNA, ou seja, Turbulence, Uncertainty, Novelity and Ambiguity, tornando a surpresa estratégica num factor condicionante da acção dos Estados, das organizações, e a gestão de crises numa realidade permanente.

O mês de Janeiro de 2026 é dos mais marcantes na geopolítica contemporânea: enquanto os EUA, em sua luta desesperada por manter seu status hegemónico global, decidiu sequestrar o presidente legítimo da Venezuela, Nicolas Maduro, ameaça tomar a Ilha da Groenlândia, intervenção militar no México, Colômbia, Cuba, Irão e promete imposição de tarifas comerciais de 25% sobre o comércio com países que transacionam com os persas, a China prefere o reforço da cooperação com a África, na lógica do espírito dos Cinco Princípios da Convivência Pacífica definidos no histórico ano de 1954, por ocasião da realização da Primeira Assembleia Popular Nacional (APN), marcando a consolidação do sistema estatal da República Popular da China (RPC).

2. Contextualização da historicidade sobre o Estado Socialista Chinês à Geopolítica do Sul Global: “Um Legado que Persiste” Debruçar da presença da China no Sul Global no século XXI exige recuar a um momento frequentemente subestimado: o ano de 1954. Foi nesse período que a República Popular da China deixou de ser apenas um Estado revolucionário recém-nascido e se afirmou como um Estado socialista plenamente institucionalizado, capaz de atuar de forma estruturada no sistema internacional.

A consolidação interna desse ano explica, em grande medida, a projeção externa que a China viria a exercer nas décadas seguintes — e que continua visível até hoje. A Primeira Assembleia Popular Nacional, realizada em setembro de 1954, e a adoção da primeira Constituição da República Popular da China foram muito mais do que atos formais. Representaram a passagem da legitimidade revolucionária para a legitimidade jurídico-política.

Ao confirmar Mao Zedong como Presidente e estruturar o poder estatal sob o princípio do centralismo democrático, a China criou as bases institucionais que lhe permitiriam dialogar com o mundo não apenas como força ideológica, mas como ator político estável e previsível.

Esse dado é fundamental para compreender o papel desempenhado pela China na Conferência de Bandung, em 1955. Bandung não foi um evento isolado, mas a primeira expressão organizada do chamado Terceiro Mundo enquanto sujeito político coletivo. A postura chinesa, marcada pelo pragmatismo e pela defesa da coexistência pacífica, contrastou com a lógica de blocos rígidos da Guerra Fria. Pequim não se apresentou como potência tutelar, mas como parceira solidária de países recém-independentes, muitos deles ainda frágeis institucionalmente. Essa opção estratégica teve consequências profundas.

Ao longo das décadas de 1950 e 1960, a China tornou-se um dos principais apoiantes das lutas de libertação nacional na Ásia, em África e na América Latina. Em África, o apoio a movimentos como o MPLA, a FRELIMO ou o PAIGC não se limitou ao plano retórico: envolveu formação política, apoio material e reconhecimento diplomático. Para muitos desses movimentos, a experiência chinesa demonstrava que era possível romper com o colonialismo sem se submeter automaticamente a novas formas de dominação.

A criação da Organização da Unidade Africana, em 1963, embora não tenha contado com a China como membro, refletiu esse ambiente político de afirmação soberana e solidariedade anticolonial. Pequim compreendeu cedo que a unidade africana era condição indispensável para a autonomia do continente, e apoiou esse processo de forma consistente, ainda que discreta.

Talvez o exemplo mais concreto dessa solidariedade transformada em ação seja a ferrovia TANZARA, construída entre a Tanzânia e a Zâmbia nos anos 1970. Não se tratou apenas de um projeto de infraestrutura, mas de um gesto político de enorme significado geopolítico: permitir a um país africano sem litoral escapar à dependência de rotas controladas por regimes coloniais ou racistas.

Foi a materialização da cooperação Sul–Sul muito antes de o conceito se tornar moda. Diante destes eventos históricos, faze-se oportuno analisar a relação entre a consolidação institucional da República Popular da China (RPC) em 1954 e a sua projecção internacional como actor central do Sul Global.

Sustenta-se que a institucionalização do Estado socialista chinês, materializada na Primeira Assembleia Popular Nacional e na adopção da Constituição de 1954, criou as bases políticas, ideológicas e diplomáticas que permitiram à China desempenhar um papel determinante na Conferência de Bandung (1955), no apoio às lutas de libertação na Ásia, em África e na América Latina, na consolidação do pan-africanismo institucional expresso na criação da Organização da Unidade Africana (OUA) em 1963 e na cooperação SulSul simbolizada pela construção da ferrovia TANZARA.

Os eventos contemporâneos demonstram a continuidade dessa política, como o lançamento do Ano de Intercâmbios Interpessoais ChinaÁfrica na sede da União Africana no dia 8 de janeiro de 2026, e a visita do Membro do Bureau Político do Comitê Central do PCC e Ministro das Relações Exteriores da RPC, Honorável Wang Yi, à Tanzânia em 9-10 de janeiro de 2026.

3. Uma observação sintetizada na Cooperação win-win tendo em conta a visita estratégica do Ministro das Relações Exteriores da China em África-2026 Visando implementar de forma aprofundada o espírito das importantes directrizes do Presidente Xi Jinping respeitante à promoção de uma Governança Global caraterizada pelo desenvolvimento pacífico, pela cooperação mutuamente vantajosa e pela prosperidade comum, assim como à fomentação de uma cooperação abrangente e concomitantemente benéfica com os países a nível do globo na defesa do multilateralismo como ponte da cooperação para o desenvolvimento internacional.

A cerimônia de lançamento do Ano de Intercâmbios Interpessoais China-África 2026 foi realizada na quinta-feira (8) na sede da União Africana (UA) em Adis Abeba, capital da Etiópia, com os participantes defendendo o aprofundamento do diálogo entre as duas civilizações. Wang Yi, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China e ministro das Relações Exteriores da China, leu uma carta de felicitações do presidente chinês Xi Jinping no evento e proferiu um discurso principal. O que chama a atenção é a continuidade dessa lógica até aos nossos dias.

O lançamento, em janeiro de 2026, do Ano de Intercâmbios Interpessoais China–África na sede da União Africana, bem como a visita do ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi à Tanzânia, mostram que a política externa chinesa mantém uma coerência histórica rara. Diplomacia, cultura, educação e desenvolvimento continuam a caminhar lado a lado.

Nada disso significa que a presença chinesa em África ou no Sul Global esteja isenta de críticas ou desafios. Mas ignorar a dimensão histórica dessa relação é empobrecer o debate. A China não surgiu ontem como parceiro do Sul Global; construiu essa posição ao longo de décadas, ancorada numa memória comum de luta contra o colonialismo e a marginalização internacional.

No fundo, o ano de 1954 não é apenas um marco da história chinesa. É um ponto de partida para compreender por que razão, num mundo cada vez mais multipolar, muitos países do Sul Global veem na China não apenas uma potência, mas um interlocutor que fala uma linguagem histórica que lhes é familiar.

E isso, no xadrez da geopolítica contemporânea, faz toda a diferença. Desde o estabelecimento do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), ambos os lados alcançaram resultados substanciais em economia e comércio, conectividade, agricultura, educação, telecomunicações e outras áreas, contribuindo para a implementação da agenda de desenvolvimento da União Africana, destacaram eles.

O lado africano expressou a sua disposição em aprofundar a cooperação com a China no âmbito do FOCAC e da Iniciativa do Cinturão e da Rota para alcançar o desenvolvimento comum. Diante da crescente instabilidade global e dos sérios desafios à ordem internacional, o lado africano manifestou apoio à Iniciativa de Governança Global proposta pelo presidente chinês, apelando a ambos os lados para que se unam contra o hegemonismo, defendam conjuntamente a ordem internacional e salvaguardem a paz mundial.

4. Considerações finais Wang afirmou que o lançamento do Ano de Intercâmbios Interpessoais China-África 2026 é uma importante iniciativa acordada conjuntamente pelo presidente chinês e pelos líderes africanos.

Em sua carta de felicitações, Xi Jinping detalhou a importância do aprendizado mútuo entre as civilizações para o avanço da modernização da China e da África e delineou a direção e os princípios da cooperação cultural e interpessoal entre a China e a África, o que demonstrou profundas reflexões sobre a história e a civilização humana e forneceu importante orientação para a construção de uma comunidade China-África com um futuro compartilhado para a nova era, disse Wang.

Em suma, a China está disposta a compartilhar, do ponto de vista estratégico, as oportunidades do seu vasto mercado, e continuará implementando o plano de acção para a cooperação económica e comercial do desenvolvimento de alta qualidade para dentro da família da OCS. O gigante Asiático estabelecerá três grandes plataformas para cooperação global em energia, indústria verde e economia digital.

Por: JOAQUIM JAIME & RAIMUNDO GONÇALVES

(Artigo de opinião colaborativo)

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